Não sei o motivo para sentir as coisas que sinto, e pensar as coisas que penso. As vezes eu nem queria ser eu, queria ser outra pessoa, queria ter outro corpo, outra mente, outro coração, outra vida.
As vezes falta-me o chão, falta-me o ar. E eu me sinto como se estivesse encurralada, presa em um cubículo e eu tento falar, dou sinais, mas parece que ninguém me ouve.Talvez eu esteja sinalizando de forma errada.
O que parece é que sou uma fraude! Uma farsa em tudo o que faço e digo, nada é bom o suficiente e não soa como verdadeiro.
São apenas sentimentos tolos, mas são meus. Ao menos isto é meu.
segunda-feira, 16 de março de 2009
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Desejos Vãos
Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…
Florbela Espanca - Livro de Mágoas
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!
Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…
Florbela Espanca - Livro de Mágoas
sábado, 31 de janeiro de 2009
Bem, aqui estou eu tentando escrever novamente. Mas, confesso que está difícil porque as idéias não fluem, parece que algo sugou minha inspiração, minha coragem. Ah! Não sei, sinto-me vazia e sem grandes perspectivas.
Continuo passeando com muita facilidade nas emoções, ora de um jeito, ora de outro, feliz,triste, bonita, horrenda, gorda, magra, e vou vivendo assim sem entender direito a razão disso.
Mas, eu também cansei de ficar procurando respostas pra tudo. Sou assim e pronto. Não há como fugir, é a minha essência, minha personalidade, talvez a minha natureza seja composta por essa insatisfação e instabilidade que às vezes nem eu mesma sei como lidar.
A questão é que eu não quero mais me perguntar o motivo de sentir isso ou aquilo, se é assim que eu sou, que eu aprenda a usar isso ao meu favor. Assim como disse Goethe: "faça de sua dor um poema". Ao ler essa frase, senti como se tivessem dado uma bofetada no meu rosto.
E deixa pra lá. Já nem sei mais o que escrever!
Continuo passeando com muita facilidade nas emoções, ora de um jeito, ora de outro, feliz,triste, bonita, horrenda, gorda, magra, e vou vivendo assim sem entender direito a razão disso.
Mas, eu também cansei de ficar procurando respostas pra tudo. Sou assim e pronto. Não há como fugir, é a minha essência, minha personalidade, talvez a minha natureza seja composta por essa insatisfação e instabilidade que às vezes nem eu mesma sei como lidar.
A questão é que eu não quero mais me perguntar o motivo de sentir isso ou aquilo, se é assim que eu sou, que eu aprenda a usar isso ao meu favor. Assim como disse Goethe: "faça de sua dor um poema". Ao ler essa frase, senti como se tivessem dado uma bofetada no meu rosto.
E deixa pra lá. Já nem sei mais o que escrever!
sábado, 1 de novembro de 2008
Mágoas
Quando nasci, num mês de tantas flores,
Todas murcharam, tristes, langorosas,
Tristes fanaram redolentes rosas,
Morreram todas, todas sem olores.
Mais tarde da existência nos verdores
Da infância nunca tive as venturosas
Alegrias que passam bonançosas,
Oh! Minha infância nunca tive flores!
Volvendo ã quadra azul da mocidade,
Minh'alma levo aflita à Eternidade,
Quando a morte matar meus dissabores.
Cansado de chorar pelas estradas,
Exausto de pisar mágoas pisadas,
Hoje eu carrego a cruz de minhas dores!
Augusto dos Anjos
Todas murcharam, tristes, langorosas,
Tristes fanaram redolentes rosas,
Morreram todas, todas sem olores.
Mais tarde da existência nos verdores
Da infância nunca tive as venturosas
Alegrias que passam bonançosas,
Oh! Minha infância nunca tive flores!
Volvendo ã quadra azul da mocidade,
Minh'alma levo aflita à Eternidade,
Quando a morte matar meus dissabores.
Cansado de chorar pelas estradas,
Exausto de pisar mágoas pisadas,
Hoje eu carrego a cruz de minhas dores!
Augusto dos Anjos
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
Amor e Ódio
Poucos crimes que acontecem no Brasil conseguem prender minha atenção.Eu sempre me senti incomodada com notícias de violência, e confesso que sempre preferi viver meio à margem. Mas, o crime ocorrido durante esta semana com a jovem Eloá e seu ex - namorado Lindemberg, não só chamou minha atenção como também me fez refletir sobre algumas questões.
Eu comecei a acompanhar o caso na terça -feira. Com o triste desfecho, milhares de coisas vieram à minha cabeça. Dentre elas, a mais comum: "como pode um rapaz aparentemente "normal" agir desta forma?". Essa é uma questão que somente os especialistas da área da psicologia poderão explicar.
O que me intrigou de fato é a frequência com que crimes passionais têm acontecido. E isso me levou a uma outra questão, quase todas as mulheres com quem converso já se sentiram intimidadas de alguma forma por um namorado ou ex-namorado. Não que isto não aconteça com os homens, só pensei nisto porque não tive a oportunidade de conversar com homens sobre o assunto.
As minhas perguntas são as seguintes: esses casos de ciúme doentio têm aumentado? E se têm aumentado, por quê?
O que está acontecendo? Quando penso no caso de Eloá, e até mesmo de amigas que já tiveram um namorado possessivo e ciumento, milhões de dúvidas com relação ao amor invadem meus pensamentos. Como é possível que momentos de felicidade, sejam substituídos em questão de segundos, por ódio, raiva, mágoa. É como se todos momentos bons não valessem nada, já que são descartados de forma tão vil.
Me parece que o que prejudica uma relação é justamente a noção de posse. Quem tem essa noção, é incapaz de amar. Não sabe que amar significa querer o bem estar do ser amado, mesmo que isso signifique a distância, mesmo que ele esteja longe.
As relações deveriam acabar de uma outra forma. As pessoas deveriam deixar de acreditar em contos de fadas, em "amor eterno". Deveriam pensar que porque acabou, não quer dizer que não tenha tido amor, um dos nossos maiores poetas Vinícius de Moraes já dizia:
"Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
Eu comecei a acompanhar o caso na terça -feira. Com o triste desfecho, milhares de coisas vieram à minha cabeça. Dentre elas, a mais comum: "como pode um rapaz aparentemente "normal" agir desta forma?". Essa é uma questão que somente os especialistas da área da psicologia poderão explicar.
O que me intrigou de fato é a frequência com que crimes passionais têm acontecido. E isso me levou a uma outra questão, quase todas as mulheres com quem converso já se sentiram intimidadas de alguma forma por um namorado ou ex-namorado. Não que isto não aconteça com os homens, só pensei nisto porque não tive a oportunidade de conversar com homens sobre o assunto.
As minhas perguntas são as seguintes: esses casos de ciúme doentio têm aumentado? E se têm aumentado, por quê?
O que está acontecendo? Quando penso no caso de Eloá, e até mesmo de amigas que já tiveram um namorado possessivo e ciumento, milhões de dúvidas com relação ao amor invadem meus pensamentos. Como é possível que momentos de felicidade, sejam substituídos em questão de segundos, por ódio, raiva, mágoa. É como se todos momentos bons não valessem nada, já que são descartados de forma tão vil.
Me parece que o que prejudica uma relação é justamente a noção de posse. Quem tem essa noção, é incapaz de amar. Não sabe que amar significa querer o bem estar do ser amado, mesmo que isso signifique a distância, mesmo que ele esteja longe.
As relações deveriam acabar de uma outra forma. As pessoas deveriam deixar de acreditar em contos de fadas, em "amor eterno". Deveriam pensar que porque acabou, não quer dizer que não tenha tido amor, um dos nossos maiores poetas Vinícius de Moraes já dizia:
"Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Carta aos Inimigos

A todos os que me prejudicaram:
Sei bem que em determinadas circunstâncias contribui com o descaso, o desafeto de alguns. Quando reflito sobre meus atos passados, não retiro em momento algum a responsabilidade que cai sobre as minhas costas. Minha falta de amor próprio, a infantilidade em acreditar que eu poderia mudar alguém...Ah!!! Quantos sonhos e esperanças eu tinha! E como eles me prejudicaram! Fui vítma de minha própria ilusão.
Mas não retiro a culpa de vocês, por terem se aproveitado de minhas fraquezas. Fui tola e ingênua eu bem sei.Achava que não haveria no mundo ninguém mais forte, como eu estava enganada! Os únicos fracos que vejo são vocês que continuam na mesma condição que os encontrei. Não evoluíram em nada, se somos como um rio, e estamos em constante transformação, eu diria que esse caso não se aplica a vocês. O rio secou.
E quanto a mim? O que sobrou de mim? Ressurgi das cinzas e aqui estou, me refazendo e sinto que evolui como ser humano, como mulher. Voltei a sonhar, mas não aqueles sonhos infantis e bobos. Sonho com meu presente, com meu futuro, e sei que posso ser aquilo que quiser.
Obrigada por terem me mostrado o outro lado da vida. O lado obscuro que eu não conhecia. Eu agradeço, pois ao conhecê-lo tive a mais plena convicção do que eu quero para minha vida.
Portanto, façam bom proveito!
Sei bem que em determinadas circunstâncias contribui com o descaso, o desafeto de alguns. Quando reflito sobre meus atos passados, não retiro em momento algum a responsabilidade que cai sobre as minhas costas. Minha falta de amor próprio, a infantilidade em acreditar que eu poderia mudar alguém...Ah!!! Quantos sonhos e esperanças eu tinha! E como eles me prejudicaram! Fui vítma de minha própria ilusão.
Mas não retiro a culpa de vocês, por terem se aproveitado de minhas fraquezas. Fui tola e ingênua eu bem sei.Achava que não haveria no mundo ninguém mais forte, como eu estava enganada! Os únicos fracos que vejo são vocês que continuam na mesma condição que os encontrei. Não evoluíram em nada, se somos como um rio, e estamos em constante transformação, eu diria que esse caso não se aplica a vocês. O rio secou.
E quanto a mim? O que sobrou de mim? Ressurgi das cinzas e aqui estou, me refazendo e sinto que evolui como ser humano, como mulher. Voltei a sonhar, mas não aqueles sonhos infantis e bobos. Sonho com meu presente, com meu futuro, e sei que posso ser aquilo que quiser.
Obrigada por terem me mostrado o outro lado da vida. O lado obscuro que eu não conhecia. Eu agradeço, pois ao conhecê-lo tive a mais plena convicção do que eu quero para minha vida.
Portanto, façam bom proveito!
Lidiana
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
Por que escrever?
As vezes eu mesma me faço essa pergunta. Por que escrever? Eu nem sei se tenho as palavras certas para me fazer entender, escrever é uma arte que não sei se possuo, apenas admiro, almejo, busco.
Não conheço as regras gramaticais que tornam um texto poético e bonito de se ler. Talvez eu esteja sendo então, arrogante por criar um blog e postar aqui meus pensamentos. Ora, o que uma pessoa que não tem o dom da escrita pode querer deixar através de suas singelas palavras? Alguns podem mesmo pensar que quero "aparecer", talvez seja isso mesmo, talvez no meu inconsciente, eu esteja fazendo isso para receber a atenção de todos.Mas, se é assim, é involuntário, nada que meu consciente queira.
O que sei é que escrever me faz sentir bem. Me dexa mais leve, e eu sinto que produzi algo bom porque é verdadeiro, não tenho pretensão de mudar o mundo, só quero uma chance de me expressar, mesmo que eu não saiba usar corretamente as palavras, mesmo que eu não conheça nada de regras gramaticais, o que importa neste momento, é me expressar.
Não conheço as regras gramaticais que tornam um texto poético e bonito de se ler. Talvez eu esteja sendo então, arrogante por criar um blog e postar aqui meus pensamentos. Ora, o que uma pessoa que não tem o dom da escrita pode querer deixar através de suas singelas palavras? Alguns podem mesmo pensar que quero "aparecer", talvez seja isso mesmo, talvez no meu inconsciente, eu esteja fazendo isso para receber a atenção de todos.Mas, se é assim, é involuntário, nada que meu consciente queira.
O que sei é que escrever me faz sentir bem. Me dexa mais leve, e eu sinto que produzi algo bom porque é verdadeiro, não tenho pretensão de mudar o mundo, só quero uma chance de me expressar, mesmo que eu não saiba usar corretamente as palavras, mesmo que eu não conheça nada de regras gramaticais, o que importa neste momento, é me expressar.
sábado, 27 de setembro de 2008
Não eu não estou louca!
Minha mãe me perguntou o motivo de ter escolhido esse nome para o blog. Na hora a única resposta que me veio foi que é um nome forte, que causaria impacto.
Na verdade, já fui "diagnosticada" como insana por muitos, não exatamente com essa palavra, mas de louca, radical, e até mesmo "meio desequilibrada". É claro que isso magoou, mas, com o passar do tempo aprendi a lidar com essas críticas.
Bem, essa "loucura" é algo tão subjetivo, o que é normal para mim pode não ser para o outro e assim vice - versa. Então, o que é a loucura?
Segundo o dicionário online loucura é: "alienação mental com modificação profunda da personalidade".Que eu saiba não cheguei a esse ponto. Minha loucura não me impede de realizar meus afazeres e nem de ser eu mesma.
Pensamentos Insanos é apenas uma metáfora. Há de existir alguém que vá levar ao pé da letra. Mas, tudo bem, não se pode agradar a todos, e nem eu tenho essa pretensão.
Agora, não se preocupem, porque gozo da mais perfeita saúde mental!
Na verdade, já fui "diagnosticada" como insana por muitos, não exatamente com essa palavra, mas de louca, radical, e até mesmo "meio desequilibrada". É claro que isso magoou, mas, com o passar do tempo aprendi a lidar com essas críticas.
Bem, essa "loucura" é algo tão subjetivo, o que é normal para mim pode não ser para o outro e assim vice - versa. Então, o que é a loucura?
Segundo o dicionário online loucura é: "alienação mental com modificação profunda da personalidade".Que eu saiba não cheguei a esse ponto. Minha loucura não me impede de realizar meus afazeres e nem de ser eu mesma.
Pensamentos Insanos é apenas uma metáfora. Há de existir alguém que vá levar ao pé da letra. Mas, tudo bem, não se pode agradar a todos, e nem eu tenho essa pretensão.
Agora, não se preocupem, porque gozo da mais perfeita saúde mental!
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Racionalidade até que ponto?
Certo dia, estava a conversar com uma pessoa sobre cinema. Essa pessoa me disse em tom de ironia: "sabe o que eu acho Lidiana? Acho que você se vê nos filmes que você assiste". Eu respondi que sim, que era exatamente isso que acontecia. A pessoa se voltou para mim e me disse categoricamente: "desse jeito você não vai conseguir ser pesquisadora! E já que você quer tanto seguir a carreira acadêmica..."
Confesso que aquilo mexeu comigo. Comecei então a questionar tudo aquilo que eu gostava, este comentário me abalou tanto ,que de repente, as coisas nas quais eu acreditava e sonhava começaram a não fazer mais sentido algum.
Pois bem, não se pode fugir da nossa essência. A arte sempre teve grande relevância em minha vida, e tudo que eu gosto, músicas, poesias, filmes, livros, pinturas, todo esse universo nada mais é que fragmentos da minha personalidade. E como eu me culpo por ter tentado fugir disto quando ouvi este infeliz comentário!
Mesmo sendo pesquisadora, penso que deve existir identificação, isso não é um defeito, mas sim uma qualidade. Afinal, não devemos nos identificar com aquilo em que acreditamos? E acima de toda e qualquer racionalidade é preciso ter paixão. Ora, eu acredito que grandes teorias que temos hoje, foram desenvolvidas com muita paixão e identificação. Os estudiosos se viam em seus projetos, e não havia como fugir.
Então meu amigo, não vejo nada de errado comigo. A arte está em todas as partes do meu corpo, e eu acredito incondicionalmente que ela me dará a inspiração necessária para desenvolver futuros projetos. Serei uma grande pesquisadora, pois, além do pensamento racional, tenho paixão, muita paixão!
Confesso que aquilo mexeu comigo. Comecei então a questionar tudo aquilo que eu gostava, este comentário me abalou tanto ,que de repente, as coisas nas quais eu acreditava e sonhava começaram a não fazer mais sentido algum.
Pois bem, não se pode fugir da nossa essência. A arte sempre teve grande relevância em minha vida, e tudo que eu gosto, músicas, poesias, filmes, livros, pinturas, todo esse universo nada mais é que fragmentos da minha personalidade. E como eu me culpo por ter tentado fugir disto quando ouvi este infeliz comentário!
Mesmo sendo pesquisadora, penso que deve existir identificação, isso não é um defeito, mas sim uma qualidade. Afinal, não devemos nos identificar com aquilo em que acreditamos? E acima de toda e qualquer racionalidade é preciso ter paixão. Ora, eu acredito que grandes teorias que temos hoje, foram desenvolvidas com muita paixão e identificação. Os estudiosos se viam em seus projetos, e não havia como fugir.
Então meu amigo, não vejo nada de errado comigo. A arte está em todas as partes do meu corpo, e eu acredito incondicionalmente que ela me dará a inspiração necessária para desenvolver futuros projetos. Serei uma grande pesquisadora, pois, além do pensamento racional, tenho paixão, muita paixão!
PSICOLOGIA DE UM VENCIDO
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos
Poema
VERSOS ÍNTIMOS
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Augusto dos Anjos
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