sábado, 27 de novembro de 2010

Frase


"(…)Sou muito inteligente, muito exigente e muito engenhosa para alguém ser
capaz de se encarregar completamente de mim. Ninguém me conhece nem me
ama completamente. Só tenho a mim”

Simone de Beauvoir

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Pensando...


Fazem alguns dias que estou "engasgada" com uma coisa que ouvi . Bem, nunca escondo de ninguém que tenho um transtorno de humor, e creio que isso faz muito mais parte da minha personalidade do que da minha estrutura.
Quando comecei a apresentar essas oscilações de humor, eu sofri muito porque não sabia como lidar com isso, e morria de medo de ter depressão novamente. Houve uma época em que acreditei verdadeiramente que estava enlouquecendo! Não amigos leitores isso não é para rir, a sensação eu realmente não desejo isso para ninguém.
Ocorre que com o tempo, aprendi a lidar com isso e tirar alguma vantagem. Vejam bem, se estou mal, sinto que fico mais produtiva, mais sensível, as músicas e livros passam a ter uma outra conotação, enfim, parei de lamentar porque percebi que tudo era uma questão de escolha. Ou eu ficava reclamando, ou então tirava "proveito" de uma situação que não vai mudar.
Quando me sinto, digamos, mais "introspectiva", gosto de ficar comigo mesma, com meus pensamentos e não creio que haja algum mal nisso, afinal, é uma questão passageira e as pessoas que convivem comigo sabem disso e por esta razão não me cobram absolutamente nada, apenas respeitam minha "inbernação".
Durante minha vida ouvi de duas pessoas que me eram queridas a seguinte frase: "não sei como lidar com você, eu te amo, mas meu sentimento não é tão forte a ponto de suportar isso. Imagino como deve ser difícil para as pessoas que convivem com você..."
Das duas vezes em que ouvi isso, me senti culpada. Senti uma culpa muito grande por ser como sou, por não conseguir mudar isso para que eu pudesse viver em paz com os outros. Muito mais com os outros que comigo mesma.
Depois de um tempo me lamentado e sentindo uma autopiedade irritante, comecei a analisar a frase dita duas vezes por duas pessoas distintas. Vamos por parte: "meu sentimento não é tão forte a ponto de suportar isso". Deixa ver se eu entendi, rs. Quer dizer que enquanto eu estiver bonita e feliz as pessoas vão gostar de mim e me "suportar". Foi isso mesmo que entendi? Por favor me corrijam se eu estiver errada, mas quando gostamos de alguém, não gostamos da pessoa por inteira? Bem, não sei se é papinho sentimentalóide, mas quando gosto de alguém, gosto por inteiro e não pela metade, desculpem se a carapuça servirá para alguém, mas a mensagem que me foi passada foi exatamente esta. "Eu te amo desde que..."
Bem, o fato é que não preciso me afirmar para ninguém e nem provar nada. Sou o que sou e como sou, não vou mudar. Só lamento pelas pessoas que se sentem incomodadas com meu jeito de ser, elas certamente devem ser a personificação da virtude e perfeição! Que inveja!
Esse post é somente um desabafo. Sim porque ouvir isso é pior do que ser chamada de vadia. Acreditem já ouvi as duas coisas e saber que uma pessoa gosta de você até certo ponto, e usa uma fraqueza sua para te atingir, não é uma sensação muito agradável.
Não vou ficar implorando para ninguém me aceitar, cada um tem o direito de suportar aquilo que lhe convém, não é mesmo? Só acho que essa forma de gostar, é bastante duvidosa. Pelo menos para mim...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Recomeço...

Há sempre algo terminando em minha vida. E muitas vezes sofro por isso, me culpo, choro, e tento mudar aquilo que já não tem mais volta. E sei que pode parecer melodramático, mas por alguns momentos chego a pensar que nada vai acontecer para mim, como se estivesse predestinada a ter uma vida que nunca quis ter...
Ainda bem que esse pesamento piegas e tosco permanece na minha mente por alguns minutos, horas talvez. Mas o fato é que consegui adquirir uma capacidade de regeneração incrível, não sei ao certo se é regenaração ou se é por causa da minha instabilidade emocional, mas o fato é que não me permito mais sofrer pelo inevitável. Tudo é uma questão de escolha, e eu escolho recomeçar minha vida, refazer amizades, adquirir novos afetos e me livrar dos desafetos.
Posso escrever e reescrever minha história quantas vezes for preciso, não tenho medo. Acredito que o problema da maioria das pessoas seja o receio de deixar para trás até as mágoas, de se livrar daquilo que faz mal, do que não esta certo.
Bem, já me disseram muitas vezes que não sou como as demais pessoas. Ainda bem que não sou...

"Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais..."

Bob Marley

domingo, 7 de novembro de 2010

Só por hoje...


"Só por hoje eu não quero mais chorar. Só por hoje eu espero conseguir aceitar o que passou e o que virá, só por hoje vou me lembrar que sou feliz... "


Renato Russo

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sobre a liberdade que ainda não tenho...


Me sinto uma prisioneira. Prisioneira não só das coisas e pessoas que me cercam, mas sobretudo prisioneira de mim mesma. O que é afinal de contas esse contraste excêntrico entre a mulher que é segura, destemida, e a menina que precisa a todo momento de carinho e atenção? Por que não posso ser apenas uma delas?
É com este contraste que vou seguindo minha vida, alimentando meus próprios fantasmas, mas também combatendo-os, lutando contra mim mesma, contra a escravidão que existe dentro de mim e que me mantém cativa de uma espera eterna.
E o que seria esta espera? Espera por amor, pela tão sonhada "estabilidade profissional", ou talvez a espera de um filho que um dia desejei ter, e que devido aos acontecimentos da vida, eu mesma assinei um termo alegando "incompetência maternal". Motivo: egoísmo e insconstância acima da média.
Quando terei minha carta de alforria? Quando poderei me ver livre de tudo isso, e de toda essa bagunça interna que assusta a mim, e aos outros? Neste exato momento só consigo me lembrar de um trecho de uma poesia chamada "Tragédia no Lar", de Castro Alves: o poeta abolicionista! O poeta que sonhou com a liberdade de um povo, e que me faz sonhar com a minha liberdade também.

" [...]Eu sou como a garça triste
Que mora à beira do rio,
As orvalhadas da noite
Me fazem tremer de frio.


Me fazem tremer de frio
Como os juncos da lagoa;
Feliz da araponga errante
Que é livre, que livre voa.


Que é livre, que livre voa
Para as bandas do seu ninho,
E nas braúnas à tarde
Canta longe do caminho[...]"

sábado, 30 de outubro de 2010

Tão diferente e tão igual ao mesmo tempo...


Eu não fazia ideia de como algumas pessoas têm uma imagem equivocada ao meu respeito. Mas também fiquei me perguntando se isso não seria por minha culpa, já que por vezes gosto de coisas que a maioria descarta, sempre procuro ter respostas para tudo, e por ter algumas opiniões não muito convencionais.
Essas opiniões podem ser ditas aqui sem o menor receio. Sou a favor do aborto, do casamento gay, da legalização da maconha, da adoção de crianças por casais gays e tantos outros assuntos polêmicos que à primeira vista, podem parecer que são apenas para chamar a atenção, mas não são. Não pretendo entrar no mérito de cada uma dessas questões, isso provavelmente ficará para um post posterior.
O fato é que eu sempre fiz questão de me diferenciar das demais mulheres. Nunca liguei para roupas e sapatos de grifes, sempre gostei de ler, de ouvir músicas de qualidade, cinema, enfim, de artes em geral. Repudio certos modismos, bandas de rock que insistem em ser coloridas, quando na verdade o rock é preto... filminhos mal feitos contando histórias de vampiros adolescentes, e que fazem sucesso apenas por possuírem um marketing muito bom.
Ocorre que sempre procurei ter "algo a mais" para oferecer, mais que um rostinho bonito, e uma boquinha que só abre para dizer "sim" e "não". Sei que tenho personalidade e gênio fortes, e isso por vezes me atrapalha, visto que em algumas ocasiões sou rotulada de "esnobe", "metida", "intelectual".
Sei que não sou intelectual. Tenho plena consciência de que ainda tenho muito o que aprender, e talvez isso também me difere das outras pessoas, essa minha "fome" por saber, conhecer, é algo inesgotável, insaciável.
Independente desta busca pelo saber, sou uma mulher que chora como todas as outras, que tem TPM, que se sente insegura consigo mesma, afinal, que tem seus momentos de fraqueza, sou vaidosa, gosto de arrumar as unhas, de estar com o cabelo impecável, e acima de tudo: estar magra! Não sou nem nunca tive a intenção de ser vista como uma divindade inatingível, alguém que deve ser venerado e reverenciado.
Sou um ser humano como qualquer um. Quero tomar banho de chuva, assistir comédias românticas e chorar se for o caso, sem o menor constrangimento de estar sendo ridícula.
O que eu quero ainda não tem nome. Sou uma alma inconstante que viaja nos extremos, vagueia entre emoções diversas e quando me sinto cansada, me finjo de morta. Simples assim...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Não sei...


Agora estou me perguntando se não sou mesmo a menina que foi humilhada na infância por causa do peso. Ela teima em aparecer, e em momentos assim não sei o que fazer comigo mesma, tento fazer com que ela desapareça, mas as vezes ela esta lá no espelho, quando me olho, quando olho para o meu corpo e vejo que preciso emagrecer mais.
Há dias em que me sinto tão segura com minha imagem, já em outros, sinto que ainda tenho 9 anos de idade, e aquele pensamento derrotista que me acompanhou por décadas, insiste em aparecer.
Todos já dizem que estou magra demais. E por que não me sinto assim? Por que insisto em acreditar que não emagreci absolutamente nada, e mais ainda: por que tento me fazer de forte, quando na verdade ainda sinto os efeitos daquelas humilhações vivenciadas no passado?
Não sei as respostas. Pensei ter encontrado, mas eu estava enganada.
Eu sou uma bagunça, um paradoxo entre a realidade e insanidade. E para onde devo seguir?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Depois do caos...


Bem, já estou na reta final da minha monografia. Só Deus sabe como tem sido difícil para mim escrevê-la, mas não no sentido que todos imaginam. A maioria concebe a monografia como algo totalmente impossível de ser realizado, cheguei a ouvir de algumas colegas: "vou desistir do curso, não consigo fazer isso."
A dificuldade que encontrei não foi a de redigir ou fazer a pesquisa de campo. É claro que dificuldades nesse sentido sempre encontramos, afinal, escrever é doloroso, e a pesquisa de campo é algo que não depende exclusivamente de nós, contamos com outras pessoas, e infelizmente essas pessoas não se encontram disponíveis para nos ajudar ou simplesmente não querem.
Então qual é o problema? Ocorre que escolhi um tema (Bullying), que é bastante controverso, gera polêmica e mexe com feridas pessoais, (vide texto: "Bullying: violência velada"), sendo assim, foi muito penoso remexer tais feridas, ou melhor dizendo "exorcisá-las".
E ontem depois de ter terminado o segundo capítulo, me sentia feliz, quase eufórica. Eu tinha certeza de que tinha cumprido meu papel, e de que o capítulo tinha ficado realmente muito bom, e é claro que isso me deixou imensamente feliz, mas ao entregá-lo a minha orientadora, fui indagada por ela sobre a lição que aprendi com esta pesquisa. Não tive resposta. Disse coisas evasivas e aparentemente sem sentindo como: "ah as escolas não estão preparadas para lidarem com essa situação, né? Por mais que o tema esteja sendo divulgado, ainda existem pessoas que desconhecem o assunto, minhas hipóteses foram confirmadas, não é?" Ela me olhou de um jeito, como se não fosse exatamente essa a resposta que ela esperava, e saí de sua sala me perguntando se tinha falado alguma besteira.
Hoje ao acordar, percebi que realmente tinha falado uma besteira. Ela não queria saber se minhas hipóteses haviam sido confirmadas ou refutadas. Ela queria saber sobre o meu aprendizado pessoal, e eu não soube responder porque simplesmente não sabia o que dizer.
E enquanto "ensaiava" para me levantar da cama, fiquei refletindo sobre a pergunta da minha orientadora, e como se fosse um insight, pude perceber o que ela queria e o que eu deveria ter respondido.
Meu estudo me proporcionou um conhecimento muito maior que o acadêmico. Ele me proporcionou não só afastar os fantasmas que me afligiam como também me conhecer um pouco melhor.
Hoje, sei que não sou mais aquela menina gordinha que foi humilhada na escola, nas ruas e que aceitou passivamente tal situação. Já não sou mais a mulher que permitiu que pessoas cruéis me diminuíssem, fazendo com que eu me sentisse excluída, não merecedora de amor e carinho. E hoje sei que só permiti que isso acontecesse, devido à passividade e submissão que apresentei na infância, afinal, eu poderia ter me rebelado contra aqueles garotos, poderia ter insistido com meus pais que trocassem de escola. Mas ao contrário disso, me calei.
E me calei também diante das tais pessoas. Aceitei passivamente que elas me subestimassem, e o que é pior, durante toda a minha vida, acreditei naqueles garotos e acreditei nessas pessoas.
Agora eu sei que o que as pessoas dizem sobre nós, e para nós não deve ser encarado como verdade absoluta. Cada um sabe o que carrega no coração, na mente e no espírito, e ninguém possui "poderes mutantes" para saber com exatidão quem somos e do que somos capazes.
Portanto, eu não sou a "baleia", a "gorda"! Eu não sou a "burra"! Eu não sou aquela que foi negligenciada, vilipendiada e usada!

Eu sou alguém! Eu existo...


"É preciso um grande caos interior para parir uma estrela que dança"

Friedrich Nietzche

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O rei nu


Não sei se conhecem a estória de Christian Andersen, autor de clássicos como: O Patinho Feio e a Pequena Vendedora de Fósforos. Bem, o rei nu conta a estória de um rei muito vaidoso e tolo, que só pensava em vestir roupas caras e para isso mandava seus emissários viajarem por todo o reino para procurar tecidos novos.
Eis que um dia, dois espertalhões, sabendo da vaidade do rei, foram ao palácio e se anunciaram como artesãos que traziam um tecido mágico. Um tecido que somente os inteligentes poderiam ver.
O rei obviamente ficou interessado, pois ele gostava de novidades, estava sempre "antenado" com as últimas tendências, e tratou logo de hospedar os dois espertalhões para que pudessem fazer a tal vestimenta.
O rei muito curioso, a todo instante ordenava que seus ministros fossem ver o tecido, e eles envergonhados por não conseguirem ver o tal tecido, diziam que o tecido era maravilhoso, e que certamente isso traria muitos benefícios ao rei, pois ele ficaria cercado de pessoas inteligentes.
A roupa ficou pronta, e o rei organizou um cerimonial para todo o reino, para que todos pudessem "ver" suas roupas, e para que ele soubesse quais eram os súditos burros e os inteligentes.
Quando o rei apareceu, todo o reino ficou admirado com a tal roupa, teceram elogios, e o rei logo pensou: "que bom, todos são inteligentes", mas havia uma criança que estava no alto de uma árvore, e desconhecendo a "proeza" do tecido, não pensou duas vezes e disse em alto e bom som: "O rei esta nu!"
Imediatamente todos começaram a rir, e diziam que não conseguiam ver absolutamente nada. O tolo rei tinha percebido então, que havia sido vítima de dois espertalhões.
Bem, comecei a me lembrar dessa estória nos últimos dias, devido a uma festa que temos todos os anos em minha cidade. Para os que não sabem, moro em João Pinheiro, uma cidade que fica no noroeste de Minas e que possui pouco mais de 40 mil habitantes.
Esta festa é uma espécie de "carnaval fora de época", organizado por uma promotora de eventos, responsável pelas principais festas da cidade.
Até aí tudo bem, nada contra as pessoas se divertirem. O problema é que a cidade não comporta uma festa deste porte, ou seja, fica quase impossível andar nas ruas, os lugares ficam abarrotados de pessoas, o tráfego de carros aumenta consideravelmente, é um verdadeiro chamariz para marginais e vândulos.
Por três dias a cidade é tomada por uma espécie de primatas ainda não identificada pelos cientistas. Sabe-se apenas que tomam esteróides para aumentar os músculos, e poderem andar sem camisa, e que são desprovidos de massa encefálica. Esses símios, vem de outras cidades, "conquistam" nossas mulheres e meninas! Sim, isso mesmo, meninas de 12 anos estão sendo corrompidas por esta espécime! E o que acontece depois, é que os tais primatas saem difamando as meninas e mulheres, digo isto porque presenciei juntamente com meus pais em um restaurante, um bando deles falando para quem quisesse ouvir, das meninas que "pegaram", e de como elas dançavam feio. ( Esta é uma tradução feita por mim, pois eles emitem um som estranho e quase inaudível, pode ser o som próprio da espécie, bem enfim, consegui entender, e já me coloco à disposição da ciência para ajudar no que for preciso).
Eu como mulher e moradora de João Pinheiro, fiquei revoltada e envergonhada por ouvir tamanha barbaridade. Mas também não pretendo fazer o papel de feminista cega, sei bem que as mulheres são culpadas, pois provocam, vestem roupas mínimas, e nós sabemos muito bem que qualquer animal age por instinto, unicamente!
Essas meninas, fascinadas pela festa e pelo fato dos tais primatas serem de outras cidades, seduzem e se deixam seduzir, sem pensar nas consequências. Eles vão embora, e ficamos aqui com o problema: aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis (incluindo a AIDS), e gravidez indesejada.
Esse é apenas um dos problemas que esta festa traz para a cidade. Ok, o movimento aumenta, logo os comerciantes, donos de hotéis lucrarão mais, mas esta festa não gera emprego, não influencia postivamente a economia da cidade, muito pelo contrário! O que vemos aqui, são vândulos depredando patrimônio público e particular, carros de som ligados em frente a igrejas, hospitais, residências de crianças e idosos, aumento de consumo e tráfico de drogas, prostituição, violência.
E tudo isso a troco de que? De três dias de festa, da necessidade absurda de manter uma mulher capitalista que só lucra com tudo isso, sem se importar com o bem da cidade, com o bem dos nossos jovens...
É realmente lamentável. Só que mais lamentável ainda, é o fato das pessoas não conseguirem enxergar isso, não conseguirem enxergar que "o rei esta nu", e que é mais fácil ter o pão e circo, do que refletir sobre os problemas que afligem nossa cidade, ( e quem mora aqui, sabe do que estou falando).
Sei que corro o risco de ser execrada por causa desse post. Mas peço por gentileza, para os defensores da festa, que se forem refutar meu pensamento, por favor façam com consistência, e não de forma rasa e superficial.

sábado, 9 de outubro de 2010


Quero sentir que sou eu novamente. Parece que me perdi de mim mesma. Por onde andam meus sonhos, meus ideais? Devo ter perdido em um caminho qualquer, em um momento qualquer, só não sei exatamente quando e nem onde...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Para refletir...


"Ser tolerante não é ser conivente com o intolerável, não é acobertar o desrespeito. a tolerância é a virtude que nos ensina a viver com o diferente. a aprender com o diferente, a respeitar o diferente (...) Nós somos tão diferentes que tivemos que criar o valor da igualdade. E sem tolerância não se faz isso, quer dizer, tolerância enquanto essa capacidade que a gente tem e que inclusive cria. Ninguém é tolerante porque nasceu tolerante. A gente se torna tolerante ou a gente se torna intolerante. Daí a possibilidade pedagógica para trabalhar a tolerância."

Paulo Freire

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Bullying: violência velada


Não sei se tive a oportunidade de escrever aqui no blog que faço faculdade de pedagogia. Já estou no úlitmo período, e como todos sabem, há um trabalho final de cunho científico que temos que entregar, para garantir nossa graduação.
Pois bem, há quase dois anos, realizamos um seminário sobre distúrbios de aprendizagem, e o tema que apresentei foi o Bullying Escolar. Desde então, comecei a pesquisar sobre o referido assunto, porque já pensava que este poderia ser o tema da minha monografia, e após o seminário, esse desejo de aprofundar minhas pesquisas sobre o Bullying se fortaleceu durante o estágio de regência, quando me deparei com uma turma do 2º ano do ensino fundamental, onde todas as crianças tinham apelidos. Algumas não se importavam, até achavam graça, mas outras se mostraram visivelmente desconfortáveis e reclamaram durante toda a aula.
Não pude fazer muito, estava ali como estagiária, não conhecia a turma e isso me limitou um pouco, apenas "chamei a atenção" daqueles que estavam perturbando os colegas.
A aula terminou e saí com a sensação de que algo poderia ser feito, um projeto, uma discussão sobre as diferenças, sobre tolerância. Não sei se isso foi apenas um lapso utópico, mas foi a confirmação que eu precisava para pesquisar sobre o Bullying.
Mas o interesse real não surgiu nem com o seminário, e nem com este episódio. Fui vítima de Bullying durante minha infância e parte da adolescência, isso me trouxe incontáveis prejuízos, mas só pude entender que tinha sido vítima deste fenômeno quando começaram a discutí-lo com mais seriedade.
Comecei a escrever este post com o intuito de contar um pouco a minha história, mesmo sabendo que pessoas sádicas poderão achá-lo engraçado. Não tem importância, estou dando "a cara à tapa", batam se achar necessário!
Sempre fui uma criança quieta, um pouco calada, nunca fiz grandes travessuras como por exemplo: subir em árvore, fugir de casa, contar grandes mentiras. O que eu gostava mesmo era de brincar de casinha com as minhas bonecas.
Me lembro como se fosse ontem do meu primeiro dia na escola. É engraçado porque eu não queria ir, sei que isto esta relacionado com o medo do incerto, do desconhecido, mas as vezes me pergunto se não seria um pressentimento do que viria acontecer anos mais tarde.
Fui uma criança acima do peso. Fui motivo de chacota dos coleguinhas durante todo o primário, só porque eu não me encaixava no padrão que eles julgavam necessário para se ter um pouco de paz.
Me lembro de que eu não podia me levantar, porque colocavam o pé na frente só para me verem cair, não podia pronunciar qualquer palavra porque era cruelmente chamada de "baleia, gorda". E o engraçado é que eu me culpava por isso, sentia uma enorme culpa por ser do jeito que era, sentia inveja das meninas que eram magras, até que fui me retraindo na tentativa de ser o menos notada possível.
Mas essa ideia não deu certo. Certo dia, quando tinha 9 anos, na saída da escola, três meninos me perseguiram durante todo o meu trajeto da escola/casa, me empurrando, me chamando de "baleia", rindo e verificando a todo tempo se eu estava chorando. As pessoas na rua assistiam a tudo e achavam graça. Me lembro de perguntar aos três o motivo daquilo, por que estavam fazendo aquilo comigo, e eles riam e diziam "ah cala a boca sá!"
Me senti injustiçada. Eram três meninos contra uma menina! Cheguei em casa e disse para a minha mãe que nunca mais queria voltar para a escola, contei o que havia acontecido, e ela na tentativa de me acalmar, disse que era assim mesmo, era "coisa de criança".
Não me senti satisfeita, e contei para a professora no dia seguinte. Ela disse que depois iria castigá-los, mas pelo o que sei nada foi feito e continuei sendo humilhada até terminar o primário e mudar de escola.
Esse episódio ocorrido na infância, me trouxe prejuízos que até hoje carrego comigo. Sou insegura em tudo o que faço, não consigo me ver magra por mais que eu tente ou por mais que me digam, tenho a sensação de que tudo o que eu fizer nunca será suficientemente bom.
Agora, gostaria de explicar o motivo de ter escrito que algumas pessoas poderiam achar engraçado e até mesmo exagerado o meu pequeno relato. A razão é bem simples: algumas pessoas consideram divertido rir do outro, zombar e fazer chacota. Desvalorizam a dor alheia, a diferença alheia. A isto chamam de "sadismo", estou certa? O prazer quase que orgástico em ver o sofrimento do outro...
Como futura pedagoga, posso afirmar: não nos iludamos! Crianças podem ser cruéis quando querem, por isso não ignoremos a reclamação aparentemente inocente de uma criança que se sente incomodada com o apelido. Ignorar é ser conivente com a crueldade e impunidade, e afinal de contas, que tipo de cidadãos os pais e professores querem formar? Deixo em aberto esta pergunta, sintam-se à vontade para responder se julgarem necessário.

terça-feira, 24 de agosto de 2010


Não sei se as pessoas se afastam de mim, ou sou eu quem se afasta. De um jeito ou de outro, sempre acontece e não consigo evitar...


sexta-feira, 21 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

O peso das palavras...


Essa foi mais uma noite que passei divagando. E é engraçado, porque quando ficamos sem dormir, muitas questões vem à tona, algumas realmente têm consistências, mas outras aparentemente não têm sentido algum.
Foi o que me aconteceu nesta madrugada. Pensei em problemas reais, mas também pensei em coisas abstratas aparentemente irrelevantes. E hoje ao acordar, recordei-me de cada pensamento e comecei a intercalá-los, me lembrando de quantas vezes ouvi de algumas pessoas a seguinte frase: "não sou hipócrita, falo o que penso, estou sendo sincero", ou ainda: "tenho o direito de dizer o que penso".
Ok, vamos por partes. No momento em que me lembrava dessas frases que acredito já terem se tornado clichês, também me recordei de uma pessoa que disse uma vez: "dizer o que pensa não é democracia, democracia é dizer o que pensa, mas com responsabilidade."
Fiquei me perguntando se dizer o que pensa, sair disparando contra todo mundo que nem uma metralhadora desgovernada é ser demócratico. E mais, será que isto é ser sincero?
Não me parece que dizer o que pensa doa a quem doer, sem se importar se isto irá ferir ou não, seja democrático. Não que eu acredite que deve-se dizer apenas aquilo que o outro quer ouvir, nunca concordei com isso, pois se se diz apenas o que o outro quer escutar, não estamos contribuindo com o amadurecimento alheio.
Acredito que existem formas das coisas serem ditas, e momentos propícios. Saber escolher as palavras, o momento certo, ou até mesmo deixar de dizer algumas coisas, esta mais ligado com sabedoria do que com hipocrisia. Pessoas que se autointulam "sinceras, verdadeiras", geralmente não se preocupam muito com o sentimento alheio, e nem com as consequências que suas palavras podem trazer. Desconhecem o peso que elas possuem. E aí me vem outro questionamento, se se diz o que quer a hora que bem entender, então deve-se estar preparado para ouvir também, pois não? Acontece que pessoas assim geralmente não sabem ouvir, e não aceitam uma opinião que seja contrária a sua.
Eu também gosto de ter razão. Quem não gosta? Quem gosta de ser contrariado? Ninguém gosta. Mas não me parece muito coerente dizer o que se quer e no momento de ouvir, não aceitar que o outro revide.
As palavras pesam e podem machucar. E dificilmente são cicatrizadas. E a impressão que tenho é a de que "os sinceros", não estão muito preocupados, afinal, estão com a consciência tranquila, pois "é melhor machucar com uma verdade do que com uma mentira". Por favor, não pensem que sou a favor da mentira! Mas é que "os sinceros", geralmente não se preocupam muito se magoaram ou não, o importante é falar.
O homem erra a todo momento. Faz parte da natureza humana. As vezes acontece por querer, outras vezes nem temos consciência dos nossos erros. Magoar o outro com uma verdade dita de forma errônea é errado? Sim. Pois a partir do momento que trazemos sofrimento a outrem, perdemos nossa razão...

sábado, 1 de maio de 2010



"Achei que fosse um pássaro, mas era só um saco de papel..."

Trecho extraído da música Paper Bag de Fiona Apple

terça-feira, 13 de abril de 2010

Breve reflexão sobre meus 30 anos...


Hoje completo 30 anos de vida. Como é estranho afirmar que já tenho 30 anos! Para alguns pode parecer bobagem, mas isto tem mexido com a minha cabeça, minhas emoções. É uma sensação estranha, acho que nem mesmo na adolescência (fase conhecida pela rebeldia e erupções de sentimentos), me senti assim. E a verdade é que o tempo é mais cruel com as mulheres, talvez este seja o motivo de minha insegurança, meu medo de envelhecer.
Ocorre que ao mesmo tempo em que me sinto nova para algumas coisas, sinto-me velha para outras. Quando era mais jovem, acreditava que aos 30 anos já estaria com a minha profissão definida, casada e com filhos! Hoje penso seriamente se quero ter filhos, e a faculdade ainda não terminei...
Continuo com o meu humor mutante, só que agora muito mais acentuado, pois não me contento com qualquer coisa, e não é meia dúzia de palavras que vai me ganhar ou me fazer mudar de ideia. Isto é uma coisa positiva, sentir-se segura com as próprias ideias e com aquilo que deseja, é sinal de maturidade.
Sou uma mulher adulta, e preciso agir assim. O mundo cobra isso. Mas a verdade é que não me sinto preparada para agir como tal, embora me desagrade ser chamada de "menina" e ser tratada como uma.
Algumas coisas mudam para melhor quando se faz 30 anos. Aprendi a me vestir melhor, a valorizar meus pontos fortes, meu gosto musical e cinematográfico ficou mais apurado, e aprendi a me fazer respeitar não por atributos físicos, mas pelo o que sou de verdade, pela minha inteligência, pelo jeito de ser e encarar a vida.
Também me tornei mais forte. Sinto que sou uma lutadora, luto pela minha profissão, luto para ter minha liberdade, luto contra mim mesma...
Amigos leitores sei que este texto esta cheio de contradições. Mas esta sou eu. Sou uma mulher contraditória, por vezes doce, por vezes geniosa, conformista, revolucionária! Uma borboleta inconstante que quer ser autosuficiente, mas também quer ser protegida.

"(...) uma forma nebulosa feita de luz e sombra. Como uma estrela. Agora eu sou uma estrela."
(Trecho extraído do disco "O trem azul" de Elis Regina)

sábado, 10 de abril de 2010

Cala-te! Será melhor para você...


Mandaram-me calar. Silenciaram minha voz que teimava em dizer aquilo que eu considerava justo. Sim eu sei que isto é uma questão subjetiva, o que parece justo e correto para mim, pode não ser para o outro, e é assim que tudo funciona. Mas agora eu pergunto aos leitores: se penso diferente dos demais, sou obrigada a me calar?
Vocês ficarão surpresos quando souberem que tal atitude, (que no meu ponto de vista viola totalmente o direito de ir e vir), ocorreu na faculdade onde estudo. Sim queridos leitores! O lugar onde teoricamente deveria nos educar para a ética, cidadania e tantas outras palavras bonitas que as instituições de ensino superior utilizam e que no fundo não passam de "palavras ao vento".
Ocorre que a faculdade onde estudo impôs que os acadêmicos adquirissem uma carteira de estudante para adentrar na instituição, caso contrário, o acadêmico seria literalmente barrado na portaria.
Pensei que se era de interesse da faculdade manter uma certa organização e segurança, então o justo seria que a própria fornecesse as tais carteirinhas. Afinal, que sentido tem adquirir uma carteirinha de estudante que não tem valor algum aqui na minha cidade? Digo isto pois aqui não temos teatro, cinema, ou algo parecido.
Pois bem, como não concordava com tal atitude, fiz minha reclamação e sugestão na ouvidoria, (afinal ela esta lá para isso, pois não?), preparei um texto muito cauteloso, onde eu expunha toda essa questão, sem deixar de mencionar que considerava ARBITRÁRIA a atitude de impedir que o acadêmico mesmo não possuindo nenhum tipo de pendência, fosse literalmente impedido de entrar na faculdade.
Deixei como sugestão que forncessem cartões de identificação, e caso algum estudante quisesse adquirir a carteirinha, seria de sua responsabilidade. Os cartões serviriam apenas para entrar na faculdade, e pegar livros na biblioteca.
Eis que no dia seguinte tenho a resposta de um dos "chefões" da instituição. Não me recordo o que exatamente estava escrito no texto, mas o que posso afirmar é que ele não ficou nenhum um pouco satisfeito com a minha ousadia, se sentiu afrontado, e não satisfeito em escrever uma resposta, (muito mal criada por sinal), ficou de plantão na portaria, dizendo em alto e bom tom que: "ela, (no caso eu), disse que estávamos agindo com arbitrariedade, como se estivéssemos impedindo alguém de entrar na faculdade, pois se ela quiser chamar o cacete da polícia que chame!"
Os leitores devem estar se perguntando como eu sei que ele estava se referindo a mim, acertei? Pois bem, para a minha surpresa, eu fui a única que reclamou das tais carteirinhas, o restante dos acadêmicos ficaram falando pelos corredores, dentro das salas, mas ninguém foi capaz de ir até a ouvidouria e fazer uma reclamação formal. Todos acataram sem pestanejar a decisão.
Surpresos? Eu também. Mas aqui na minha cidade, e acredito que seja assim no restante do país, somos educados a nunca afrontar quem supostamente ocupa um cargo que esta acima do nosso, mesmo que esta pessoa tenha tomado uma atitude que contraria a maioria. Diante desta afirmativa, fico me perguntando se de fato a ditadura se extinguiu por completo, e se estamos vivendo em uma verdadeira democracia.
Fiquei pensando em tudo, e preocupada por ter utilizado algum termo ofensivo, fui pesquisar na íntegra o significado da palavra "arbitrário". Bem, segundo o Aurélio, um dos significados da palavra seria "despótico". E o que siguinifica despótico? De acordo com o velho e bom Aurélio, "absoluto, tirânico". Não contente, continuei com a minha busca de sinônimos para a palavra arbitrário. A última palavra foi tirânico, que siginifca "que não tolera que a sua vontade seja contraditada." Amigos leitores deixo que vocês respondam se a palavra arbitrário foi utilizada por mim de forma errônea.
Confesso que nunca pensei que uma simples reclamação na ouvidoria, (ato que inclusive é incentivado pela própria instituição de ensino onde estudo), fosse causar tanto dissabor. Sempre defendi a faculdade, gosto de estudar lá, mas isso não siginifica que eu tenha que concordar com tudo o que ela propõe.
O fato de um funcionário que ocupa um alto cargo na faculdade estar na portaria, pode ter vários significados. Estaria ele querendo dizer: "quem é ela para questionar uma atitude adotada por nós?" ou ainda: "é melhor ficar calada, não nos contradiga, será melhor para você". Seria uma forma de me mandar calar?
Pois foi exatamente isso que aconteceu, calei-me. Não por ter mudado de opinião ou algo do gênero, talvez eu tenha sim sentido um pouco de medo, pela surpresa de saber que em pleno século XXI ainda nos mandam calar, mesmo que estajamos brigando da forma correta, como tem que ser.
Não consigo conceber tal ato, e isto para mim ainda não tem nome. Tudo o que sei é que além da revolta, e decepção, senti um enorme desânimo, uma sensação de ter falado demais...
Embora tenha minha consciência tranquila, não sei se um dia conseguirei erguer minha cabeça novamente, ou se terei forças para "brigar" por qualquer coisa que seja. Será que o melhor é seguir a vida de olhos fechados? Como na música "Panis et circences" do Gilberto Gil, onde diz que "as pessoas da sala de jantar estão ocupadas em nascer e morrer", será que terei de me tornar uma dessas pessoas para poder viver e conviver? Eu que sempre tive medo das "pessoas da sala de jantar"...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Apesar de tudo...


Apesar de todas as decepções, de todos os problemas, e de algumas vezes me sentir sem chão, como se tivessem me roubado o ar, dentro de mim eu sei que tudo vai melhorar.
Alguns podem pensar que esta é uma forma piegas de alimentar esperanças, mas eu digo que não. Isso é uma certeza, porque há em mim algo que ultrapassa qualquer pensamento positivo: chama-se força. Sei que se eu quiser, posso ir muito mais além do que a maioria das pessoas supõe...
Assumo que tenho pensamentos derrotistas sobre minha própria pessoa, mas acho que nem eu mesma acredito neles. E se eu pudesse escrever cada acontecimento de minha vida, cada obstáculo que tive que enfrentar, certamente os leitores me dariam razão. A força que há em mim, ninguém sabe nem eu mesma sei, e é por esta razão que sou tão severa comigo.
Acredito que as coisas têm o momento certo para acontecer, não que elas aconteçam por si só, mas porque adquirimos maturidade para fazer com que elas aconteçam.
O momento para seguir meu caminho se aproxima, eu sinto isso. Assim como diz uma canção da Legião Urbana: "eu sou um pássaro, me trancam na gaiola, mas um dia eu vou voar pelo caminho mais bonito"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Retrato


"Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem esses olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha essas mãos sem força,
tão paradas, frias e mortas,
e eu não tinha esse coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança
tão simples, tão certa, tão fácil.
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles