sábado, 9 de outubro de 2010


Quero sentir que sou eu novamente. Parece que me perdi de mim mesma. Por onde andam meus sonhos, meus ideais? Devo ter perdido em um caminho qualquer, em um momento qualquer, só não sei exatamente quando e nem onde...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Para refletir...


"Ser tolerante não é ser conivente com o intolerável, não é acobertar o desrespeito. a tolerância é a virtude que nos ensina a viver com o diferente. a aprender com o diferente, a respeitar o diferente (...) Nós somos tão diferentes que tivemos que criar o valor da igualdade. E sem tolerância não se faz isso, quer dizer, tolerância enquanto essa capacidade que a gente tem e que inclusive cria. Ninguém é tolerante porque nasceu tolerante. A gente se torna tolerante ou a gente se torna intolerante. Daí a possibilidade pedagógica para trabalhar a tolerância."

Paulo Freire

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Bullying: violência velada


Não sei se tive a oportunidade de escrever aqui no blog que faço faculdade de pedagogia. Já estou no úlitmo período, e como todos sabem, há um trabalho final de cunho científico que temos que entregar, para garantir nossa graduação.
Pois bem, há quase dois anos, realizamos um seminário sobre distúrbios de aprendizagem, e o tema que apresentei foi o Bullying Escolar. Desde então, comecei a pesquisar sobre o referido assunto, porque já pensava que este poderia ser o tema da minha monografia, e após o seminário, esse desejo de aprofundar minhas pesquisas sobre o Bullying se fortaleceu durante o estágio de regência, quando me deparei com uma turma do 2º ano do ensino fundamental, onde todas as crianças tinham apelidos. Algumas não se importavam, até achavam graça, mas outras se mostraram visivelmente desconfortáveis e reclamaram durante toda a aula.
Não pude fazer muito, estava ali como estagiária, não conhecia a turma e isso me limitou um pouco, apenas "chamei a atenção" daqueles que estavam perturbando os colegas.
A aula terminou e saí com a sensação de que algo poderia ser feito, um projeto, uma discussão sobre as diferenças, sobre tolerância. Não sei se isso foi apenas um lapso utópico, mas foi a confirmação que eu precisava para pesquisar sobre o Bullying.
Mas o interesse real não surgiu nem com o seminário, e nem com este episódio. Fui vítima de Bullying durante minha infância e parte da adolescência, isso me trouxe incontáveis prejuízos, mas só pude entender que tinha sido vítima deste fenômeno quando começaram a discutí-lo com mais seriedade.
Comecei a escrever este post com o intuito de contar um pouco a minha história, mesmo sabendo que pessoas sádicas poderão achá-lo engraçado. Não tem importância, estou dando "a cara à tapa", batam se achar necessário!
Sempre fui uma criança quieta, um pouco calada, nunca fiz grandes travessuras como por exemplo: subir em árvore, fugir de casa, contar grandes mentiras. O que eu gostava mesmo era de brincar de casinha com as minhas bonecas.
Me lembro como se fosse ontem do meu primeiro dia na escola. É engraçado porque eu não queria ir, sei que isto esta relacionado com o medo do incerto, do desconhecido, mas as vezes me pergunto se não seria um pressentimento do que viria acontecer anos mais tarde.
Fui uma criança acima do peso. Fui motivo de chacota dos coleguinhas durante todo o primário, só porque eu não me encaixava no padrão que eles julgavam necessário para se ter um pouco de paz.
Me lembro de que eu não podia me levantar, porque colocavam o pé na frente só para me verem cair, não podia pronunciar qualquer palavra porque era cruelmente chamada de "baleia, gorda". E o engraçado é que eu me culpava por isso, sentia uma enorme culpa por ser do jeito que era, sentia inveja das meninas que eram magras, até que fui me retraindo na tentativa de ser o menos notada possível.
Mas essa ideia não deu certo. Certo dia, quando tinha 9 anos, na saída da escola, três meninos me perseguiram durante todo o meu trajeto da escola/casa, me empurrando, me chamando de "baleia", rindo e verificando a todo tempo se eu estava chorando. As pessoas na rua assistiam a tudo e achavam graça. Me lembro de perguntar aos três o motivo daquilo, por que estavam fazendo aquilo comigo, e eles riam e diziam "ah cala a boca sá!"
Me senti injustiçada. Eram três meninos contra uma menina! Cheguei em casa e disse para a minha mãe que nunca mais queria voltar para a escola, contei o que havia acontecido, e ela na tentativa de me acalmar, disse que era assim mesmo, era "coisa de criança".
Não me senti satisfeita, e contei para a professora no dia seguinte. Ela disse que depois iria castigá-los, mas pelo o que sei nada foi feito e continuei sendo humilhada até terminar o primário e mudar de escola.
Esse episódio ocorrido na infância, me trouxe prejuízos que até hoje carrego comigo. Sou insegura em tudo o que faço, não consigo me ver magra por mais que eu tente ou por mais que me digam, tenho a sensação de que tudo o que eu fizer nunca será suficientemente bom.
Agora, gostaria de explicar o motivo de ter escrito que algumas pessoas poderiam achar engraçado e até mesmo exagerado o meu pequeno relato. A razão é bem simples: algumas pessoas consideram divertido rir do outro, zombar e fazer chacota. Desvalorizam a dor alheia, a diferença alheia. A isto chamam de "sadismo", estou certa? O prazer quase que orgástico em ver o sofrimento do outro...
Como futura pedagoga, posso afirmar: não nos iludamos! Crianças podem ser cruéis quando querem, por isso não ignoremos a reclamação aparentemente inocente de uma criança que se sente incomodada com o apelido. Ignorar é ser conivente com a crueldade e impunidade, e afinal de contas, que tipo de cidadãos os pais e professores querem formar? Deixo em aberto esta pergunta, sintam-se à vontade para responder se julgarem necessário.

terça-feira, 24 de agosto de 2010


Não sei se as pessoas se afastam de mim, ou sou eu quem se afasta. De um jeito ou de outro, sempre acontece e não consigo evitar...


sexta-feira, 21 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

O peso das palavras...


Essa foi mais uma noite que passei divagando. E é engraçado, porque quando ficamos sem dormir, muitas questões vem à tona, algumas realmente têm consistências, mas outras aparentemente não têm sentido algum.
Foi o que me aconteceu nesta madrugada. Pensei em problemas reais, mas também pensei em coisas abstratas aparentemente irrelevantes. E hoje ao acordar, recordei-me de cada pensamento e comecei a intercalá-los, me lembrando de quantas vezes ouvi de algumas pessoas a seguinte frase: "não sou hipócrita, falo o que penso, estou sendo sincero", ou ainda: "tenho o direito de dizer o que penso".
Ok, vamos por partes. No momento em que me lembrava dessas frases que acredito já terem se tornado clichês, também me recordei de uma pessoa que disse uma vez: "dizer o que pensa não é democracia, democracia é dizer o que pensa, mas com responsabilidade."
Fiquei me perguntando se dizer o que pensa, sair disparando contra todo mundo que nem uma metralhadora desgovernada é ser demócratico. E mais, será que isto é ser sincero?
Não me parece que dizer o que pensa doa a quem doer, sem se importar se isto irá ferir ou não, seja democrático. Não que eu acredite que deve-se dizer apenas aquilo que o outro quer ouvir, nunca concordei com isso, pois se se diz apenas o que o outro quer escutar, não estamos contribuindo com o amadurecimento alheio.
Acredito que existem formas das coisas serem ditas, e momentos propícios. Saber escolher as palavras, o momento certo, ou até mesmo deixar de dizer algumas coisas, esta mais ligado com sabedoria do que com hipocrisia. Pessoas que se autointulam "sinceras, verdadeiras", geralmente não se preocupam muito com o sentimento alheio, e nem com as consequências que suas palavras podem trazer. Desconhecem o peso que elas possuem. E aí me vem outro questionamento, se se diz o que quer a hora que bem entender, então deve-se estar preparado para ouvir também, pois não? Acontece que pessoas assim geralmente não sabem ouvir, e não aceitam uma opinião que seja contrária a sua.
Eu também gosto de ter razão. Quem não gosta? Quem gosta de ser contrariado? Ninguém gosta. Mas não me parece muito coerente dizer o que se quer e no momento de ouvir, não aceitar que o outro revide.
As palavras pesam e podem machucar. E dificilmente são cicatrizadas. E a impressão que tenho é a de que "os sinceros", não estão muito preocupados, afinal, estão com a consciência tranquila, pois "é melhor machucar com uma verdade do que com uma mentira". Por favor, não pensem que sou a favor da mentira! Mas é que "os sinceros", geralmente não se preocupam muito se magoaram ou não, o importante é falar.
O homem erra a todo momento. Faz parte da natureza humana. As vezes acontece por querer, outras vezes nem temos consciência dos nossos erros. Magoar o outro com uma verdade dita de forma errônea é errado? Sim. Pois a partir do momento que trazemos sofrimento a outrem, perdemos nossa razão...

sábado, 1 de maio de 2010



"Achei que fosse um pássaro, mas era só um saco de papel..."

Trecho extraído da música Paper Bag de Fiona Apple

terça-feira, 13 de abril de 2010

Breve reflexão sobre meus 30 anos...


Hoje completo 30 anos de vida. Como é estranho afirmar que já tenho 30 anos! Para alguns pode parecer bobagem, mas isto tem mexido com a minha cabeça, minhas emoções. É uma sensação estranha, acho que nem mesmo na adolescência (fase conhecida pela rebeldia e erupções de sentimentos), me senti assim. E a verdade é que o tempo é mais cruel com as mulheres, talvez este seja o motivo de minha insegurança, meu medo de envelhecer.
Ocorre que ao mesmo tempo em que me sinto nova para algumas coisas, sinto-me velha para outras. Quando era mais jovem, acreditava que aos 30 anos já estaria com a minha profissão definida, casada e com filhos! Hoje penso seriamente se quero ter filhos, e a faculdade ainda não terminei...
Continuo com o meu humor mutante, só que agora muito mais acentuado, pois não me contento com qualquer coisa, e não é meia dúzia de palavras que vai me ganhar ou me fazer mudar de ideia. Isto é uma coisa positiva, sentir-se segura com as próprias ideias e com aquilo que deseja, é sinal de maturidade.
Sou uma mulher adulta, e preciso agir assim. O mundo cobra isso. Mas a verdade é que não me sinto preparada para agir como tal, embora me desagrade ser chamada de "menina" e ser tratada como uma.
Algumas coisas mudam para melhor quando se faz 30 anos. Aprendi a me vestir melhor, a valorizar meus pontos fortes, meu gosto musical e cinematográfico ficou mais apurado, e aprendi a me fazer respeitar não por atributos físicos, mas pelo o que sou de verdade, pela minha inteligência, pelo jeito de ser e encarar a vida.
Também me tornei mais forte. Sinto que sou uma lutadora, luto pela minha profissão, luto para ter minha liberdade, luto contra mim mesma...
Amigos leitores sei que este texto esta cheio de contradições. Mas esta sou eu. Sou uma mulher contraditória, por vezes doce, por vezes geniosa, conformista, revolucionária! Uma borboleta inconstante que quer ser autosuficiente, mas também quer ser protegida.

"(...) uma forma nebulosa feita de luz e sombra. Como uma estrela. Agora eu sou uma estrela."
(Trecho extraído do disco "O trem azul" de Elis Regina)

sábado, 10 de abril de 2010

Cala-te! Será melhor para você...


Mandaram-me calar. Silenciaram minha voz que teimava em dizer aquilo que eu considerava justo. Sim eu sei que isto é uma questão subjetiva, o que parece justo e correto para mim, pode não ser para o outro, e é assim que tudo funciona. Mas agora eu pergunto aos leitores: se penso diferente dos demais, sou obrigada a me calar?
Vocês ficarão surpresos quando souberem que tal atitude, (que no meu ponto de vista viola totalmente o direito de ir e vir), ocorreu na faculdade onde estudo. Sim queridos leitores! O lugar onde teoricamente deveria nos educar para a ética, cidadania e tantas outras palavras bonitas que as instituições de ensino superior utilizam e que no fundo não passam de "palavras ao vento".
Ocorre que a faculdade onde estudo impôs que os acadêmicos adquirissem uma carteira de estudante para adentrar na instituição, caso contrário, o acadêmico seria literalmente barrado na portaria.
Pensei que se era de interesse da faculdade manter uma certa organização e segurança, então o justo seria que a própria fornecesse as tais carteirinhas. Afinal, que sentido tem adquirir uma carteirinha de estudante que não tem valor algum aqui na minha cidade? Digo isto pois aqui não temos teatro, cinema, ou algo parecido.
Pois bem, como não concordava com tal atitude, fiz minha reclamação e sugestão na ouvidoria, (afinal ela esta lá para isso, pois não?), preparei um texto muito cauteloso, onde eu expunha toda essa questão, sem deixar de mencionar que considerava ARBITRÁRIA a atitude de impedir que o acadêmico mesmo não possuindo nenhum tipo de pendência, fosse literalmente impedido de entrar na faculdade.
Deixei como sugestão que forncessem cartões de identificação, e caso algum estudante quisesse adquirir a carteirinha, seria de sua responsabilidade. Os cartões serviriam apenas para entrar na faculdade, e pegar livros na biblioteca.
Eis que no dia seguinte tenho a resposta de um dos "chefões" da instituição. Não me recordo o que exatamente estava escrito no texto, mas o que posso afirmar é que ele não ficou nenhum um pouco satisfeito com a minha ousadia, se sentiu afrontado, e não satisfeito em escrever uma resposta, (muito mal criada por sinal), ficou de plantão na portaria, dizendo em alto e bom tom que: "ela, (no caso eu), disse que estávamos agindo com arbitrariedade, como se estivéssemos impedindo alguém de entrar na faculdade, pois se ela quiser chamar o cacete da polícia que chame!"
Os leitores devem estar se perguntando como eu sei que ele estava se referindo a mim, acertei? Pois bem, para a minha surpresa, eu fui a única que reclamou das tais carteirinhas, o restante dos acadêmicos ficaram falando pelos corredores, dentro das salas, mas ninguém foi capaz de ir até a ouvidouria e fazer uma reclamação formal. Todos acataram sem pestanejar a decisão.
Surpresos? Eu também. Mas aqui na minha cidade, e acredito que seja assim no restante do país, somos educados a nunca afrontar quem supostamente ocupa um cargo que esta acima do nosso, mesmo que esta pessoa tenha tomado uma atitude que contraria a maioria. Diante desta afirmativa, fico me perguntando se de fato a ditadura se extinguiu por completo, e se estamos vivendo em uma verdadeira democracia.
Fiquei pensando em tudo, e preocupada por ter utilizado algum termo ofensivo, fui pesquisar na íntegra o significado da palavra "arbitrário". Bem, segundo o Aurélio, um dos significados da palavra seria "despótico". E o que siguinifica despótico? De acordo com o velho e bom Aurélio, "absoluto, tirânico". Não contente, continuei com a minha busca de sinônimos para a palavra arbitrário. A última palavra foi tirânico, que siginifca "que não tolera que a sua vontade seja contraditada." Amigos leitores deixo que vocês respondam se a palavra arbitrário foi utilizada por mim de forma errônea.
Confesso que nunca pensei que uma simples reclamação na ouvidoria, (ato que inclusive é incentivado pela própria instituição de ensino onde estudo), fosse causar tanto dissabor. Sempre defendi a faculdade, gosto de estudar lá, mas isso não siginifica que eu tenha que concordar com tudo o que ela propõe.
O fato de um funcionário que ocupa um alto cargo na faculdade estar na portaria, pode ter vários significados. Estaria ele querendo dizer: "quem é ela para questionar uma atitude adotada por nós?" ou ainda: "é melhor ficar calada, não nos contradiga, será melhor para você". Seria uma forma de me mandar calar?
Pois foi exatamente isso que aconteceu, calei-me. Não por ter mudado de opinião ou algo do gênero, talvez eu tenha sim sentido um pouco de medo, pela surpresa de saber que em pleno século XXI ainda nos mandam calar, mesmo que estajamos brigando da forma correta, como tem que ser.
Não consigo conceber tal ato, e isto para mim ainda não tem nome. Tudo o que sei é que além da revolta, e decepção, senti um enorme desânimo, uma sensação de ter falado demais...
Embora tenha minha consciência tranquila, não sei se um dia conseguirei erguer minha cabeça novamente, ou se terei forças para "brigar" por qualquer coisa que seja. Será que o melhor é seguir a vida de olhos fechados? Como na música "Panis et circences" do Gilberto Gil, onde diz que "as pessoas da sala de jantar estão ocupadas em nascer e morrer", será que terei de me tornar uma dessas pessoas para poder viver e conviver? Eu que sempre tive medo das "pessoas da sala de jantar"...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Apesar de tudo...


Apesar de todas as decepções, de todos os problemas, e de algumas vezes me sentir sem chão, como se tivessem me roubado o ar, dentro de mim eu sei que tudo vai melhorar.
Alguns podem pensar que esta é uma forma piegas de alimentar esperanças, mas eu digo que não. Isso é uma certeza, porque há em mim algo que ultrapassa qualquer pensamento positivo: chama-se força. Sei que se eu quiser, posso ir muito mais além do que a maioria das pessoas supõe...
Assumo que tenho pensamentos derrotistas sobre minha própria pessoa, mas acho que nem eu mesma acredito neles. E se eu pudesse escrever cada acontecimento de minha vida, cada obstáculo que tive que enfrentar, certamente os leitores me dariam razão. A força que há em mim, ninguém sabe nem eu mesma sei, e é por esta razão que sou tão severa comigo.
Acredito que as coisas têm o momento certo para acontecer, não que elas aconteçam por si só, mas porque adquirimos maturidade para fazer com que elas aconteçam.
O momento para seguir meu caminho se aproxima, eu sinto isso. Assim como diz uma canção da Legião Urbana: "eu sou um pássaro, me trancam na gaiola, mas um dia eu vou voar pelo caminho mais bonito"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Retrato


"Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem esses olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha essas mãos sem força,
tão paradas, frias e mortas,
e eu não tinha esse coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança
tão simples, tão certa, tão fácil.
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Vazio


Hoje acordei abafada, como se me faltasse o ar. Me olhei no espelho, e não gostei do que vi. Vi uma mulher cansada, com os olhos entristecidos como se tivesse perdido todos os sonhos e anseios, e a impressão que tive, é que o espelho não mostrava somente o meu físico, mas também minha alma.
Hoje não quero fazer nada, e nem falar nada. Não quero me olhar e nem ser vista, sinto como se estivesse alheia a tudo e a todos. Hoje nada me surpreende, nada me comove, nada me deixa triste ou feliz. Hoje estou no meio do nada...sou o tudo e o nada.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os Cantos de Maldoror - Canto Segundo

"Agarro a pena que vai construir o segundo canto... instrumento arranacado às asas de alguma águia real vermelha! Mas... o que têm meus dedos? As articulações permanecem paralisadas, desde que comecei meu trabalho. No entanto, preciso escrever...É impossível! Pois bem! Repito que preciso escrever meu pensamento; tenho o direito, como qualquer outro, de submeter-me a essa lei natural...Mas não, não, a pena permanece inerte!...Veja, vejam só, através dos campos, o relâmpago que brilha ao longe. A tempestade percorre o espaço. Chove...Chove sempre...Como chove!...O relâmpago explodiu...Abateu-se sobre minha janela entreaberta, e estendeu-me no assoalho, atingindo a testa. Por que esta tempestade, e por que a paralisia dos meus dedos?Será um aviso do alto para me impedir de escrever, e para pensar melhor nisso a que me exponho, ao destilar a baba da minha boca quadrada? Mas essa tempestade não me atemorizou. Que me importaria uma legião de tempestades! Esses agentes da polícia celeste cumprem com zelo seu penoso dever, a julgar sumariamente por minha testa ferida. Nada tenho a agradecer ao Todo Poderoso, por sua notável destreza; ele enviou um raio de modo a cortar precisamente meu rosto em dois, desde a testa, lugar onde a ferida foi mais perigosa: que um outro o felícite!"

Os Cantos de Maldoror - Lautréamont (Isidore Ducasse)


sábado, 26 de dezembro de 2009


Partiram-me em mil pedaços, e agora tento juntar os cacos que se espalharam por todos os lados...
Lidiana

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

No momento é o que consigo dizer...


Never is a promise
Fiona Apple


Never Is A Promise




You'll never see the courage I knowVocê nunca verá a coragem que eu conheço
It's color's richness won't appear within your view A riqueza das cores dela não aparecerá dentro de sua visão
I'll never glow the way that you glow Eu nunca brilharei do jeito que você brilha
Your presence dominates the judgements made on you Sua presença predomina sobre os julgamentos feitos em você


But as the scenery grows, I see in different lightsMas enquanto o cenário cresce, eu vejo em luzes diferentes.
The shades and shadows undulate in my perception As penumbras e as sombras ondulam na minha percepção
My feelings swell and stretch, I see from greater heights Meus sentimentos se esticam e se alargam, eu vejo de alturas maiores.
I understand what I am still too proud to mention to you Eu entendo que eu ainda sou muito orgulhosa para mencionar - a você


You'll say you understand, but you don't understandVocê dirá que entende, mas não entende
You'll say you'll never give up seeing eye to eye Você dirá que nunca desistirá de olhar olho no olho
But never is a promise, and you can't afford to lie Mas 'nunca' é uma promessa e você não dispõe de meios para mentir


You'll never touch these things that I holdVocê nunca tocará estas coisas que eu possuo
The skin of my emotions lies beneath my own A pele das minhas emoções se aloja debaixo da minha própria (pele)
You'll never feel the heat of this soul Você nunca sentirá o calor desta alma
My fever burns me deeper than I've ever shown to you Minha febre me queima mais profundamente do que eu jamais tenha mostrado - a você


You'll say: "Don't fear your dreams.", it's easier than it seemsVocê dirá “Não tema seus sonhos, é mais fácil que parece”.
You'll say you'd never let me fall from hopes so high Você dirá que nunca me deixaria cair de esperanças tão altas
But never is a promise, and you can't afford to lie Mas 'nunca' é uma promessa e você não dispõe de meios para mentir


You'll never live this life that I liveVocê nunca viverá esta vida que eu vivo
I'll never live the life that wakes me in the night Eu nunca viverei a vida que me acorda de madrugada
You'll never hear the message I give Você nunca ouvirá a mensagem que eu mando
You'll say it looks as though I might give up this fight Você dirá que parece tão ruim como se eu estivesse desistindo desta luta


But as the scenery grows, I see in different lightsMas enquanto o cenário cresce, eu vejo em luzes diferentes.
The shades and shadows undulate in my perception As penumbras e as sombras ondulam na minha percepção
My feelings swell and stretch, I see from greater heights Meus sentimentos se esticam e se alargam, eu vejo de alturas maiores.
I realize what I am now too smart to mention to you Eu percebo que eu sou agora muito esperta para mencionar - a você


You'll say you understand - you'll never understandVocê dirá que entende, mas nunca entenderá.
I'll say I'll never wake up knowing how or why Eu direi que nunca acordarei sabendo como ou por quê
I don't know what to believe in - you don't know who I am Eu não sei em que acreditar, você não sabe quem eu sou.
You'll say I'll need appeasing when I start to cry Você dirá que eu preciso de apaziguamento quando começo a chorar
But never is a promise, and I'll never need a lie Mas 'nunca' é uma promessa e eu nunca precisarei de uma mentira.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Soul Parsifal


(...) Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou

Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar

Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir

Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim

Trecho de Soul Parsifal, música da Legião Urbana. Composição: Renato Russo/Marisa Monte

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Versos de Orgulho


O mundo quer-me mal porque ninguém Tem asas como eu tenho ! Porque Deus Me fez nascer Princesa entre plebeus Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus E os oiros e clarões são todos meus ! Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !

O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ? __O jardim dos meus versos todo em flor ... A seara dos teus beijos, pão bendito ...

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ... __São os teus braços dentro dos meus braços, Via Láctea fechando o Infinito.

Florbela Espanca

domingo, 6 de dezembro de 2009

Fugindo um pouco dos paradigmas

Tenho postado aqui músicas com as quais me identifico, que expressam exatamente o que eu penso, e algumas passagens de livros e poesias que possuem alguma relevância para mim.
Fugindo um pouco da proposta do blog, e até mesmo do meu próprio gosto musical, pois quem me conhece sabe que não aprecio muito as "músicas da moda", gostaria de postar uma música de uma cantora que considero como uma das mais promissoras da atualidade. Trata-se de Lady Gaga, creio que não preciso dizer muito, pois todos a conhecem pela sua excentricidade, e penso que com isto o seu talento acaba ficando meio esquecido, pois Lady Gaga além de cantora, é pianista e compositora.
Penso que mesmo em sua excentricidade, ela exala arte, e como este blog também fala de arte, achei que seria conveniente postar aqui um clipe que considero ser um dos mais belos que já vi, por todos os efeitos, pela criatividade, e principalmente pela expressividade, sensualidade e insanidade.

sábado, 5 de dezembro de 2009

É hora de refletir...


Após alguns períodos altos e baixos, (mais baixos que altos, é bem verdade), penso ser agora o momento de refletir sobre meus atos, e hora de avaliar meus erros e acertos. Mais acertos que erros para ser sincera, pois eles também devem ser analisados, pois é justamente nos acertos, que acabamos por acomodar a uma determinada situação, limitando-nos a uma condição que supostamente consideramos estar em "ordem". E é justamente esta "ordem" que me incomoda, sei que errei nos meus relacionamentos, e não quero cometê-los novamente. E é por este motivo que considero que o momento agora seja cuidar do meu coração e da minha alma. Preciso estar inteira para retomar minha vida, tanto pessoal quanto profissional, já estou praticamente finalizando meu curso de pedagogia, e penso que preciso focar nos projetos que idealizei, nos artigos que pensei em fazer para serem publicados. O momento é este. Quanto ao lado pessoal, este se ajeitará com o tempo...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Papai Noel não existe...


Hoje eu chorei durante a aula. Não foi um choro contido como tem sido nos últimos dias, foi um choro compulsivo. Algumas de minhas colegas podem ter pensado que eu só queria atenção, e talvez quisesse, afinal, se eu queria chorar, por que não fui para o banheiro? Se eu estava tão abafada, por que simplesmente não me retirei da sala de aula?
Não costumo prender o choro, ele normalmente vem e não consigo contê-lo, é mais forte que eu. E para mim não foi agradável me expor desta maneira, mas eu recebi muitas palavras de afeto, abraços e carinhos de minhas companheiras, e isto me fez bem. Então, talvez eu tivesse mesmo que chorar naquele lugar, e naquele momento.
Descobri que tentaram fazer com que eu acreditasse em um mundo perfeito, e este mundo obviamente não existe. Foi muito difícil saber que "Papai Noel não existe", no entanto, um estranho sentimento de libertação e alívio tomou conta do meu ser. O choro foi um misto de decepção e alegria. Eu me assustei com o que foi dito, mas senti que começo a sair da caverna (aquela mencionada por Platão), e isto caro leitores é assustador sim, pois vários questionamentos nos passam pela mente tais como: "e agora, o que fazer?"
Também me fiz alguns questionamentos sobre minha própria pessoa. Será que demonstro tanta fragilidade, a ponto das pessoas deduzirem que não suportarei a verdade? Será que ainda transmito a imagem de princesinha encastelada?
Ainda não tenho respostas para estas perguntas, mas acredito já ser um bom começo para o meu amadurecimento.
Por hoje é só. Minha cabeça dói...