terça-feira, 13 de abril de 2010

Breve reflexão sobre meus 30 anos...


Hoje completo 30 anos de vida. Como é estranho afirmar que já tenho 30 anos! Para alguns pode parecer bobagem, mas isto tem mexido com a minha cabeça, minhas emoções. É uma sensação estranha, acho que nem mesmo na adolescência (fase conhecida pela rebeldia e erupções de sentimentos), me senti assim. E a verdade é que o tempo é mais cruel com as mulheres, talvez este seja o motivo de minha insegurança, meu medo de envelhecer.
Ocorre que ao mesmo tempo em que me sinto nova para algumas coisas, sinto-me velha para outras. Quando era mais jovem, acreditava que aos 30 anos já estaria com a minha profissão definida, casada e com filhos! Hoje penso seriamente se quero ter filhos, e a faculdade ainda não terminei...
Continuo com o meu humor mutante, só que agora muito mais acentuado, pois não me contento com qualquer coisa, e não é meia dúzia de palavras que vai me ganhar ou me fazer mudar de ideia. Isto é uma coisa positiva, sentir-se segura com as próprias ideias e com aquilo que deseja, é sinal de maturidade.
Sou uma mulher adulta, e preciso agir assim. O mundo cobra isso. Mas a verdade é que não me sinto preparada para agir como tal, embora me desagrade ser chamada de "menina" e ser tratada como uma.
Algumas coisas mudam para melhor quando se faz 30 anos. Aprendi a me vestir melhor, a valorizar meus pontos fortes, meu gosto musical e cinematográfico ficou mais apurado, e aprendi a me fazer respeitar não por atributos físicos, mas pelo o que sou de verdade, pela minha inteligência, pelo jeito de ser e encarar a vida.
Também me tornei mais forte. Sinto que sou uma lutadora, luto pela minha profissão, luto para ter minha liberdade, luto contra mim mesma...
Amigos leitores sei que este texto esta cheio de contradições. Mas esta sou eu. Sou uma mulher contraditória, por vezes doce, por vezes geniosa, conformista, revolucionária! Uma borboleta inconstante que quer ser autosuficiente, mas também quer ser protegida.

"(...) uma forma nebulosa feita de luz e sombra. Como uma estrela. Agora eu sou uma estrela."
(Trecho extraído do disco "O trem azul" de Elis Regina)

sábado, 10 de abril de 2010

Cala-te! Será melhor para você...


Mandaram-me calar. Silenciaram minha voz que teimava em dizer aquilo que eu considerava justo. Sim eu sei que isto é uma questão subjetiva, o que parece justo e correto para mim, pode não ser para o outro, e é assim que tudo funciona. Mas agora eu pergunto aos leitores: se penso diferente dos demais, sou obrigada a me calar?
Vocês ficarão surpresos quando souberem que tal atitude, (que no meu ponto de vista viola totalmente o direito de ir e vir), ocorreu na faculdade onde estudo. Sim queridos leitores! O lugar onde teoricamente deveria nos educar para a ética, cidadania e tantas outras palavras bonitas que as instituições de ensino superior utilizam e que no fundo não passam de "palavras ao vento".
Ocorre que a faculdade onde estudo impôs que os acadêmicos adquirissem uma carteira de estudante para adentrar na instituição, caso contrário, o acadêmico seria literalmente barrado na portaria.
Pensei que se era de interesse da faculdade manter uma certa organização e segurança, então o justo seria que a própria fornecesse as tais carteirinhas. Afinal, que sentido tem adquirir uma carteirinha de estudante que não tem valor algum aqui na minha cidade? Digo isto pois aqui não temos teatro, cinema, ou algo parecido.
Pois bem, como não concordava com tal atitude, fiz minha reclamação e sugestão na ouvidoria, (afinal ela esta lá para isso, pois não?), preparei um texto muito cauteloso, onde eu expunha toda essa questão, sem deixar de mencionar que considerava ARBITRÁRIA a atitude de impedir que o acadêmico mesmo não possuindo nenhum tipo de pendência, fosse literalmente impedido de entrar na faculdade.
Deixei como sugestão que forncessem cartões de identificação, e caso algum estudante quisesse adquirir a carteirinha, seria de sua responsabilidade. Os cartões serviriam apenas para entrar na faculdade, e pegar livros na biblioteca.
Eis que no dia seguinte tenho a resposta de um dos "chefões" da instituição. Não me recordo o que exatamente estava escrito no texto, mas o que posso afirmar é que ele não ficou nenhum um pouco satisfeito com a minha ousadia, se sentiu afrontado, e não satisfeito em escrever uma resposta, (muito mal criada por sinal), ficou de plantão na portaria, dizendo em alto e bom tom que: "ela, (no caso eu), disse que estávamos agindo com arbitrariedade, como se estivéssemos impedindo alguém de entrar na faculdade, pois se ela quiser chamar o cacete da polícia que chame!"
Os leitores devem estar se perguntando como eu sei que ele estava se referindo a mim, acertei? Pois bem, para a minha surpresa, eu fui a única que reclamou das tais carteirinhas, o restante dos acadêmicos ficaram falando pelos corredores, dentro das salas, mas ninguém foi capaz de ir até a ouvidouria e fazer uma reclamação formal. Todos acataram sem pestanejar a decisão.
Surpresos? Eu também. Mas aqui na minha cidade, e acredito que seja assim no restante do país, somos educados a nunca afrontar quem supostamente ocupa um cargo que esta acima do nosso, mesmo que esta pessoa tenha tomado uma atitude que contraria a maioria. Diante desta afirmativa, fico me perguntando se de fato a ditadura se extinguiu por completo, e se estamos vivendo em uma verdadeira democracia.
Fiquei pensando em tudo, e preocupada por ter utilizado algum termo ofensivo, fui pesquisar na íntegra o significado da palavra "arbitrário". Bem, segundo o Aurélio, um dos significados da palavra seria "despótico". E o que siguinifica despótico? De acordo com o velho e bom Aurélio, "absoluto, tirânico". Não contente, continuei com a minha busca de sinônimos para a palavra arbitrário. A última palavra foi tirânico, que siginifca "que não tolera que a sua vontade seja contraditada." Amigos leitores deixo que vocês respondam se a palavra arbitrário foi utilizada por mim de forma errônea.
Confesso que nunca pensei que uma simples reclamação na ouvidoria, (ato que inclusive é incentivado pela própria instituição de ensino onde estudo), fosse causar tanto dissabor. Sempre defendi a faculdade, gosto de estudar lá, mas isso não siginifica que eu tenha que concordar com tudo o que ela propõe.
O fato de um funcionário que ocupa um alto cargo na faculdade estar na portaria, pode ter vários significados. Estaria ele querendo dizer: "quem é ela para questionar uma atitude adotada por nós?" ou ainda: "é melhor ficar calada, não nos contradiga, será melhor para você". Seria uma forma de me mandar calar?
Pois foi exatamente isso que aconteceu, calei-me. Não por ter mudado de opinião ou algo do gênero, talvez eu tenha sim sentido um pouco de medo, pela surpresa de saber que em pleno século XXI ainda nos mandam calar, mesmo que estajamos brigando da forma correta, como tem que ser.
Não consigo conceber tal ato, e isto para mim ainda não tem nome. Tudo o que sei é que além da revolta, e decepção, senti um enorme desânimo, uma sensação de ter falado demais...
Embora tenha minha consciência tranquila, não sei se um dia conseguirei erguer minha cabeça novamente, ou se terei forças para "brigar" por qualquer coisa que seja. Será que o melhor é seguir a vida de olhos fechados? Como na música "Panis et circences" do Gilberto Gil, onde diz que "as pessoas da sala de jantar estão ocupadas em nascer e morrer", será que terei de me tornar uma dessas pessoas para poder viver e conviver? Eu que sempre tive medo das "pessoas da sala de jantar"...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Apesar de tudo...


Apesar de todas as decepções, de todos os problemas, e de algumas vezes me sentir sem chão, como se tivessem me roubado o ar, dentro de mim eu sei que tudo vai melhorar.
Alguns podem pensar que esta é uma forma piegas de alimentar esperanças, mas eu digo que não. Isso é uma certeza, porque há em mim algo que ultrapassa qualquer pensamento positivo: chama-se força. Sei que se eu quiser, posso ir muito mais além do que a maioria das pessoas supõe...
Assumo que tenho pensamentos derrotistas sobre minha própria pessoa, mas acho que nem eu mesma acredito neles. E se eu pudesse escrever cada acontecimento de minha vida, cada obstáculo que tive que enfrentar, certamente os leitores me dariam razão. A força que há em mim, ninguém sabe nem eu mesma sei, e é por esta razão que sou tão severa comigo.
Acredito que as coisas têm o momento certo para acontecer, não que elas aconteçam por si só, mas porque adquirimos maturidade para fazer com que elas aconteçam.
O momento para seguir meu caminho se aproxima, eu sinto isso. Assim como diz uma canção da Legião Urbana: "eu sou um pássaro, me trancam na gaiola, mas um dia eu vou voar pelo caminho mais bonito"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Retrato


"Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem esses olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha essas mãos sem força,
tão paradas, frias e mortas,
e eu não tinha esse coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança
tão simples, tão certa, tão fácil.
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Vazio


Hoje acordei abafada, como se me faltasse o ar. Me olhei no espelho, e não gostei do que vi. Vi uma mulher cansada, com os olhos entristecidos como se tivesse perdido todos os sonhos e anseios, e a impressão que tive, é que o espelho não mostrava somente o meu físico, mas também minha alma.
Hoje não quero fazer nada, e nem falar nada. Não quero me olhar e nem ser vista, sinto como se estivesse alheia a tudo e a todos. Hoje nada me surpreende, nada me comove, nada me deixa triste ou feliz. Hoje estou no meio do nada...sou o tudo e o nada.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Os Cantos de Maldoror - Canto Segundo

"Agarro a pena que vai construir o segundo canto... instrumento arranacado às asas de alguma águia real vermelha! Mas... o que têm meus dedos? As articulações permanecem paralisadas, desde que comecei meu trabalho. No entanto, preciso escrever...É impossível! Pois bem! Repito que preciso escrever meu pensamento; tenho o direito, como qualquer outro, de submeter-me a essa lei natural...Mas não, não, a pena permanece inerte!...Veja, vejam só, através dos campos, o relâmpago que brilha ao longe. A tempestade percorre o espaço. Chove...Chove sempre...Como chove!...O relâmpago explodiu...Abateu-se sobre minha janela entreaberta, e estendeu-me no assoalho, atingindo a testa. Por que esta tempestade, e por que a paralisia dos meus dedos?Será um aviso do alto para me impedir de escrever, e para pensar melhor nisso a que me exponho, ao destilar a baba da minha boca quadrada? Mas essa tempestade não me atemorizou. Que me importaria uma legião de tempestades! Esses agentes da polícia celeste cumprem com zelo seu penoso dever, a julgar sumariamente por minha testa ferida. Nada tenho a agradecer ao Todo Poderoso, por sua notável destreza; ele enviou um raio de modo a cortar precisamente meu rosto em dois, desde a testa, lugar onde a ferida foi mais perigosa: que um outro o felícite!"

Os Cantos de Maldoror - Lautréamont (Isidore Ducasse)


sábado, 26 de dezembro de 2009


Partiram-me em mil pedaços, e agora tento juntar os cacos que se espalharam por todos os lados...
Lidiana

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

No momento é o que consigo dizer...


Never is a promise
Fiona Apple


Never Is A Promise




You'll never see the courage I knowVocê nunca verá a coragem que eu conheço
It's color's richness won't appear within your view A riqueza das cores dela não aparecerá dentro de sua visão
I'll never glow the way that you glow Eu nunca brilharei do jeito que você brilha
Your presence dominates the judgements made on you Sua presença predomina sobre os julgamentos feitos em você


But as the scenery grows, I see in different lightsMas enquanto o cenário cresce, eu vejo em luzes diferentes.
The shades and shadows undulate in my perception As penumbras e as sombras ondulam na minha percepção
My feelings swell and stretch, I see from greater heights Meus sentimentos se esticam e se alargam, eu vejo de alturas maiores.
I understand what I am still too proud to mention to you Eu entendo que eu ainda sou muito orgulhosa para mencionar - a você


You'll say you understand, but you don't understandVocê dirá que entende, mas não entende
You'll say you'll never give up seeing eye to eye Você dirá que nunca desistirá de olhar olho no olho
But never is a promise, and you can't afford to lie Mas 'nunca' é uma promessa e você não dispõe de meios para mentir


You'll never touch these things that I holdVocê nunca tocará estas coisas que eu possuo
The skin of my emotions lies beneath my own A pele das minhas emoções se aloja debaixo da minha própria (pele)
You'll never feel the heat of this soul Você nunca sentirá o calor desta alma
My fever burns me deeper than I've ever shown to you Minha febre me queima mais profundamente do que eu jamais tenha mostrado - a você


You'll say: "Don't fear your dreams.", it's easier than it seemsVocê dirá “Não tema seus sonhos, é mais fácil que parece”.
You'll say you'd never let me fall from hopes so high Você dirá que nunca me deixaria cair de esperanças tão altas
But never is a promise, and you can't afford to lie Mas 'nunca' é uma promessa e você não dispõe de meios para mentir


You'll never live this life that I liveVocê nunca viverá esta vida que eu vivo
I'll never live the life that wakes me in the night Eu nunca viverei a vida que me acorda de madrugada
You'll never hear the message I give Você nunca ouvirá a mensagem que eu mando
You'll say it looks as though I might give up this fight Você dirá que parece tão ruim como se eu estivesse desistindo desta luta


But as the scenery grows, I see in different lightsMas enquanto o cenário cresce, eu vejo em luzes diferentes.
The shades and shadows undulate in my perception As penumbras e as sombras ondulam na minha percepção
My feelings swell and stretch, I see from greater heights Meus sentimentos se esticam e se alargam, eu vejo de alturas maiores.
I realize what I am now too smart to mention to you Eu percebo que eu sou agora muito esperta para mencionar - a você


You'll say you understand - you'll never understandVocê dirá que entende, mas nunca entenderá.
I'll say I'll never wake up knowing how or why Eu direi que nunca acordarei sabendo como ou por quê
I don't know what to believe in - you don't know who I am Eu não sei em que acreditar, você não sabe quem eu sou.
You'll say I'll need appeasing when I start to cry Você dirá que eu preciso de apaziguamento quando começo a chorar
But never is a promise, and I'll never need a lie Mas 'nunca' é uma promessa e eu nunca precisarei de uma mentira.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Soul Parsifal


(...) Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou

Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar

Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir

Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim

Trecho de Soul Parsifal, música da Legião Urbana. Composição: Renato Russo/Marisa Monte

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Versos de Orgulho


O mundo quer-me mal porque ninguém Tem asas como eu tenho ! Porque Deus Me fez nascer Princesa entre plebeus Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus E os oiros e clarões são todos meus ! Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !

O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ? __O jardim dos meus versos todo em flor ... A seara dos teus beijos, pão bendito ...

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ... __São os teus braços dentro dos meus braços, Via Láctea fechando o Infinito.

Florbela Espanca

domingo, 6 de dezembro de 2009

Fugindo um pouco dos paradigmas

Tenho postado aqui músicas com as quais me identifico, que expressam exatamente o que eu penso, e algumas passagens de livros e poesias que possuem alguma relevância para mim.
Fugindo um pouco da proposta do blog, e até mesmo do meu próprio gosto musical, pois quem me conhece sabe que não aprecio muito as "músicas da moda", gostaria de postar uma música de uma cantora que considero como uma das mais promissoras da atualidade. Trata-se de Lady Gaga, creio que não preciso dizer muito, pois todos a conhecem pela sua excentricidade, e penso que com isto o seu talento acaba ficando meio esquecido, pois Lady Gaga além de cantora, é pianista e compositora.
Penso que mesmo em sua excentricidade, ela exala arte, e como este blog também fala de arte, achei que seria conveniente postar aqui um clipe que considero ser um dos mais belos que já vi, por todos os efeitos, pela criatividade, e principalmente pela expressividade, sensualidade e insanidade.

sábado, 5 de dezembro de 2009

É hora de refletir...


Após alguns períodos altos e baixos, (mais baixos que altos, é bem verdade), penso ser agora o momento de refletir sobre meus atos, e hora de avaliar meus erros e acertos. Mais acertos que erros para ser sincera, pois eles também devem ser analisados, pois é justamente nos acertos, que acabamos por acomodar a uma determinada situação, limitando-nos a uma condição que supostamente consideramos estar em "ordem". E é justamente esta "ordem" que me incomoda, sei que errei nos meus relacionamentos, e não quero cometê-los novamente. E é por este motivo que considero que o momento agora seja cuidar do meu coração e da minha alma. Preciso estar inteira para retomar minha vida, tanto pessoal quanto profissional, já estou praticamente finalizando meu curso de pedagogia, e penso que preciso focar nos projetos que idealizei, nos artigos que pensei em fazer para serem publicados. O momento é este. Quanto ao lado pessoal, este se ajeitará com o tempo...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Papai Noel não existe...


Hoje eu chorei durante a aula. Não foi um choro contido como tem sido nos últimos dias, foi um choro compulsivo. Algumas de minhas colegas podem ter pensado que eu só queria atenção, e talvez quisesse, afinal, se eu queria chorar, por que não fui para o banheiro? Se eu estava tão abafada, por que simplesmente não me retirei da sala de aula?
Não costumo prender o choro, ele normalmente vem e não consigo contê-lo, é mais forte que eu. E para mim não foi agradável me expor desta maneira, mas eu recebi muitas palavras de afeto, abraços e carinhos de minhas companheiras, e isto me fez bem. Então, talvez eu tivesse mesmo que chorar naquele lugar, e naquele momento.
Descobri que tentaram fazer com que eu acreditasse em um mundo perfeito, e este mundo obviamente não existe. Foi muito difícil saber que "Papai Noel não existe", no entanto, um estranho sentimento de libertação e alívio tomou conta do meu ser. O choro foi um misto de decepção e alegria. Eu me assustei com o que foi dito, mas senti que começo a sair da caverna (aquela mencionada por Platão), e isto caro leitores é assustador sim, pois vários questionamentos nos passam pela mente tais como: "e agora, o que fazer?"
Também me fiz alguns questionamentos sobre minha própria pessoa. Será que demonstro tanta fragilidade, a ponto das pessoas deduzirem que não suportarei a verdade? Será que ainda transmito a imagem de princesinha encastelada?
Ainda não tenho respostas para estas perguntas, mas acredito já ser um bom começo para o meu amadurecimento.
Por hoje é só. Minha cabeça dói...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dos sonhos...



"Tinham um ao outro e beijaram-se, e empurraram os medos um do outro para um canto, acreditando na luz do outro, no sonho do outro..."
Hubert Selby. Jr: autor do livro que deu origem ao filme "Requiem para um sonho"

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Me acostumando à solidão...


É engraçado como as coisas são. Moro com meus pais, mas é como se vivesse sozinha. Penso não faltar nada de material para mim, mas falta afeto, compreensão e amizade. E por mais que eu me convença de que a minha existência não é igual a dos outros, ainda sim é difícil. É difícil porque existe um preço alto a ser pago, e esta dor que não abandona meu coração de jeito nenhum, esta sim parece ser minha companheira inseparável.
Existe algo enorme dentro de mim, que não sei explicar muito bem. As vezes me sufoca, porque quer sair, se libertar, mas eu não consigo. Me acovardo quando penso que ao libertar esta fera que mora em mim, eu acabe afastando ainda mais as pessoas, e me condene a uma solidão eterna. Solidão na qual eu já me acostumei, visto que algumas coisas que considero importantes, só o são para mim, e isto ninguém vai conseguir entender, por mais que digam o contrário. E creio que há uma frase do Renato Russo que descreve muito bem isto que acabo de dizer : "Quem diz que me entende, nunca quis saber."
As vezes eu também me pergunto de onde vem a força que me impulsiona, que me faz querer continuar e acreditar que as coisas vão melhorar. Ela vem das coisas que as pessoas julgam insignificantes. Ah! Como é fácil me conhecer! Basta ouvir as músicas que escuto, os filmes que vejo, as pessoas que admiro. Cada uma destas coisas possuem um pedaço da minha essência, é um pedaço de mim.
E aí dizem pra mim: "eu te compreendo". Mas como pode me compreender se não sabe o que realmente é importante e faz sentido para mim? Alguns de vocês podem achar que este pensamento seja demasiadamente simplista, e de fato é. E neste sentido, posso me considerar a pessoa mais verdadeira, e sincera, do que muitas que julgam ser, mas não possuem a coragem que eu tive e que ainda tenho.
Os meus pés ainda estão acorrentados, mas um dia a borboleta sai do casulo, e vai voar.

domingo, 22 de novembro de 2009

Decepção


"As Vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!" Bob Marley

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

As pessoas exaltam tanto a sinceridade, a honestidade, de fato são qualidades importantes, mas eu fico me perguntando até que ponto? A sinceridade excessiva pode as vezes assustar quem ouve, e se antes o propósito era "me machuque com a verdade, mas não me iluda com a mentira", infelizmente este pode não ser o melhor caminho.
Cheguei a esta conclusão devido a alguns acontecimentos. E tenho me feito estas indagações o tempo todo. Mentir não é a melhor saída, visto que ao mentir, enganamos a nós mesmos. Mas em alguns momentos é melhor ocultar a realidade.
Sempre fui muito intensa, daquele tipo tipo de pessoa que diz aquilo que sente, e faz aquilo que quer. Tenho pagado um preço muito alto por isto, e me perco em meus devaneios, sem saber ao certo qual o melhor caminho.
Embora o caminho da verdade seja por vezes doloroso, não quero ter que passar a vida toda mentindo para mim mesma. Talvez eu simplesmente não diga nada, oculte o que sinto, e sei que ao final, me tornarei um enigma para mim mesma...

Homenagem aos homens que passaram pela minha vida...



Sleep To Dream - Fiona Apple




I tell you how I feel, but you don't careEu digo a você como me sinto, mas você não liga.
I say: "Tell me the truth.", but you don't dareEu digo "me diga a verdade", mas você não ousa.
You say love is a hell you cannot bearVocê diz que o amor é um inferno que não pode suportar.
And I say: "Give me mine back and then go there, for all I care."E eu digo "me dê o meu de volta e então vá - eu não me importo”.


I got my feet on the groundEu tenho meus pés no chão e não vou dormir para sonhar.
And I don't go to sleep to dreamVocê tem sua cabeça nas nuvens e não é nada do que parece.
You got your head in the cloudsEsta mente, este corpo e esta voz não podem ser abafadas por seus modos anticonvencionais.
And you're not at all what you seemEntão não se esqueça do que eu lhe disse, não me procure, eu tenho meu próprio inferno para cuidar.
This mind, this body, and this voice
Cannot be stifled by your deviant ways
So don't forget what I told you, don't come around
I got my own hell to raise


I have never been so insulted in all my lifeEu nunca fui tão insultada em toda a minha vida.
I could swallow the seas to wash down all this prideEu poderia tragar estes mares para lavar todo esse orgulho.
First you run like a fool just to be at my sidePrimeiro você corre como um bobo para ficar do meu lado.
And now you run like a fool, but you just run to hide, and I can't abideE agora você corre como um tolo, mas você só corre para se esconder, e eu não posso agüentar.


I got my feet on the groundEu tenho meus pés no chão e não vou dormir para sonhar.
And I don't go to sleep to dreamVocê tem sua cabeça nas nuvens e não é nada do que parece.
You got your head in the cloudsEsta mente, este corpo e esta voz não podem ser abafadas por seus modos anticonvencionais.
And you're not at all what you seemEntão não se esqueça do que eu lhe disse, não me procure, eu tenho meu próprio inferno para cuidar.
This mind, this body, and this voice
Cannot be stifled by your deviant ways
So don't forget what I told you, don't come around
I got my own hell to raise


Don't make it a big deal, don't be so sensitiveNão faça disso uma grande coisa, não seja tão sensível.
We're not playing a game anymoreNão estamos mais jogando um jogo, você não tem que ser tão defensivo.
You don't have to be so defensive


Don't you plead me your case, don't bother to explainNão advogue seu caso, não se preocupe em explicar.
Don't even show me your face, 'cause it's a crying shameNem sequer me mostre seu rosto, pois é uma vergonha chorante.
Just go back to the rock from under which you cameApenas volte para a pedra debaixo da qual você veio.
Take the sorrow you gave and all the stakes you claimLeve a tristeza que você me deu e tudo o que você reivindica -
And don't forget the blameE não se esqueça da culpa.


I got my feet on the groundEu tenho meus pés no chão e não vou dormir para sonhar.
And I don't go to sleep to dreamVocê tem sua cabeça nas nuvens e não é nada do que parece.
You got your head in the cloudsEsta mente, este corpo e esta voz não podem ser abafadas por seus modos anticonvencionais.
And you're not at all what you seemEntão não se esqueça do que eu lhe disse, não me procure, eu tenho meu próprio inferno para cuidar.
This mind, this body, and this voice
Cannot be stifled by your deviant ways
So don't forget what I told you, don't come around
I got my own hell to raise

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Os Cantos de Maldoror - Canto Primeiro


"Eu vi, durante toda a minha vida, sem excetuar um só, os homens de ombros estreitos praticarem atos estúpidos e numerosos, embrutecerem seus semelhantes, enfiarem o dinheiro dos outros nos bolsos, e perverterem as almas por todos os meios. Assim chama eles o motivo de suas ações: a glória. Vendo esses espetáculos, eu quis rir como os outros; mas isso, estranha imitação, era impossível. Peguei um canivete cuja lâmina tinha um gume afiado, e rasguei minhas carnes nos lugares onde se reúnem os lábios. Por um instante, acreditei haver alcançado meu objetivo. Examinei em um espelho essa boca ferida por minha própria vontade! Havia sido um erro! O sangue, que corria em abundância dos dois ferimentos, não permitia distinguir, aliás, se esse era verdadeiramente o riso dos outros. Mas, após alguns instantes de comparação, vi muito bem que meu riso não se assemelhava ao dos humanos, ou seja, eu não ria."

Os Cantos de Maldoror - Lautréamont (Isidore Ducasse)